Notáveis dão parecer sobre transgênicos
A crença de que a falta de informação, especialmente por parte da sociedade, emperra a análise e a aprovação pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para uso comercial dos produtos vegetais geneticamente modificados, levou o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) a reunir cientistas conceituados para preparar um documento com conceitos, muitos dos quais já consagrados, sobre impacto dos produtos no meio-ambiente e os seus riscos para a saúde humana. O documento, denominado "Avaliação de Impactos do Milho Geneticamente Modificado", foi protocolado na última sexta-feira, em Brasília, na expectativa de que contribua para os debates dos conselheiros durante a reunião do Conselho que se realiza amanhã.
Segundo a diretora-executiva do CIB, Alda Lerayer, o documento reúne pareceres técnicos e estudos científicos recentes publicados na literatura acadêmica mundial. O estudo reforça fundamentos técnicos e científicos indispensáveis à avaliação e à aprovação das variedades de milho transgênicos que aguardam pareceres conclusivos da CTNBio.
Entre os cientistas que assinam o documento estão os pesquisadores Ernesto Paterniani e Luciana Di Ciero, da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), José Maria da Silveira, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Menossi, do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética da Unicamp, e Leila Oda, presidente da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio).
O documento deu destaque ao milho Bt (resiste a insetos), ao milho tolerante ao glifosato e ao glufosinato. Segundo aqueles cientistas, desde a introdução das culturas geneticamente modificadas, há dez anos, não houve registros de perda de diversidade genética, quando comparados às produções agrícolas convencionais. Ao contrário, segundo informam, em cultivos de algodão e milho com a introdução do Bt houve a diminuição da uniformidade genética em 28%.
Além disso, a aplicação de lavouras transgênicas tem contribuído para a preservação do solo, uma vez que a tecnologia dispensa o processo de aração é usado pela agricultura convencional. O preparo da terra com a utilização de máquinas agrícolas expõe o solo à erosão e salinização, além levar à perda de nutrientes e à deterioração biológica. Estima-se que 67% dos solos agricultáveis do mundo estejam degradados.
"A introdução de cultivos agrícolas transgênicos permitiu maior preservação do solo e maior acúmulo de matéria orgânica, ao mesmo tempo em que diminuiu o número de aragens necessárias para o controle de plantas daninhas, devido à facilitação do emprego, do plantio direto ou do cultivo mínimo", diz o relatório.
O milho, segundo o documento, é uma planta de polinização cruzada. O conhecimento da distância de dispersão do pólen, de sua curta viabilidade, e das épocas de florescimento ajudam a evitar cruzamentos indesejáveis, de acordo com o documento.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12)(Isabel Dias de Aguiar)