"Guerra da banana" na OMC gera aportes no Brasil

23/11/2006

"Guerra da banana" na OMC gera aportes no Brasil

 

 

Contestado na Organização Mundial do Comércio (OMC) pelo Equador no dia 16, o "novo" regime europeu de importação de banana - em vigor desde janeiro - alavancou investimentos de multinacionais no Brasil. Segundo análise do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura de São Paulo, os grupos Del Monte, Dole e Fyffes ampliaram aportes no país após as mudanças na União Européia. 


Condenada na OMC em processo movido por exportadores - sobretudo latinos, incluindo o Equador -, a UE adotou em 2006 tarifa única de 176 euros por tonelada com base no princípio comercial de Nações Mais Favorecidas, e definiu para ex-colônias do ACP (Ásia, Caribe e Pacífico) cota de 775 mil toneladas livre de alíquotas. Antes havia tarifa de 680 euros por tonelada para o volume que superasse a cota de 2,2 milhões de toneladas. 


De volta à OMC, o Equador sustenta que a tarifa de 176 euros tira a competitividade e prejudica seus produtores. Ainda que alguns exportadores brasileiros concordem, o estudo aponta que o país ganhou com os investimentos realizados. 


Conforme o IEA, a irlandesa Fyffes Pineapples comprou 60% da Nolem, exportadora de melões, e constituiu a Bananas do Nordeste (Banesa). O projeto da múlti prevê 1,5 mil hectares para a banana até 2007 e aporte de R$ 55 milhões, e tende a inserir o Ceará entre os Estados exportadores, atrás de Rio Grande do Norte e Santa Catarina. 


O IEA ressalta a elevação da produção da Del Monte no Nordeste. Foram 60 mil toneladas em 2004, 70 mil em 2005 e mais 70 mil este ano. Com as duas empresas, as exportações nordestinas de banana podem somar 100 mil toneladas em 2006. O país exportou cerca de US$ 30 milhões de janeiro a setembro, 20% mais que igual período de 2005. Em volume, as vendas caíram quase 5%.