Caprinos e ovinos superam bovinos
A última edição da Fenagro foi realizada em janeiro deste ano, com participação limitada de Estados da federação. Pelo calendário oficial, seria no final do ano passado, mas acabou adiada em razão do surgimento de focos de febre aftosa no País. Assim, duas feiras foram promovidas este ano.
A segunda delas, pelo calendário de 2006, começou na última quinta-feira e vai até domingo, no Parque de Exposições. Embora sem aumento na quantidade de bovinos (mais afetados pela febre aftosa), duas categorias se destacaram: caprinos e ovinos.
A quantidade desses animais na 19ª edição quase que triplicou.
A organização anuncia que cerca de três mil cabeças estarão expostas nas baias do parque. Na última feira, foram apenas 410 caprinos e 1.443 ovinos, a maioria da Bahia, Estado livre da aftosa por vacina.
Outro animal com aumento no número de inscrições é o cavalo, que passou de 817 na última feira para cerca de 1.200 animais. Este acréscimo fez com que a organização ampliassem a exposição e, com isso, a mostra de eqüinos acontecerá em duas etapas. A primeira, desde a última quinta-feira, inclui as raças Árabe, Appaloosa, Paint Horse, Quarto-de-Milha e Campolina, além dos asininos, e vai até amanhã, quando inicia a mostra das raças Mangalarga Marchador e Mangalarga Paulista.
Pôneis, pampa e pequira, junto com os animais utilizados nas provas de team penning, em que se aparta um lote de bois e os confina no curral, estão no parque desde sexta-feira e ficam até o domingo.
NEGÓCIOS – A entrada dos mais de 3 mil animais bovinos se deu na sexta-feira, a pesagem, no final de semana, e os julgamentos vão de hoje até domingo. Jaime Fernandes, presidente da Associação Baiana de Criadores (Abac), promotora da Fenagro, imputa o fim da crise da febre aftosa como principal causa para as boas expectativas dos expositores e organizadores na feira deste ano.
As chuvas em várias regiões do País, incluindo a Bahia, elevaram o preço da arroba de boi, acrescenta, e, “embora ainda não seja o ideal, já podemos dizer que reagiu a um patamar razoável”, avalia. O presidente da Abac destaca ainda que o número de leilões (31), um dos momentos de maior volume de negócios, é recorde.
O volume de negócios a ser feito durante a feira deve crescer de R$ 85 milhões para R$ 100 milhões, movimentados na venda direta de animais, veículos, máquinas e implementos agrícolas. Vindos de 16 Estados e 13 países, cerca de 1.100 expositores trouxeram animais.
BIOENERGIA – Uma novidade este ano é a realização da Bioenerg y World Americas, dias 1º a 3 de dezembro, versão latina de uma feira européia que discute energias alternativas, não-poluentes e a preservação dos recursos naturais.
Mássimo Ferrarese, diretor da Consultoria Empresarial Brasil Itália (Cebi), que organiza a versão latina, diz por que a Fenagro foi escolhida para o evento: “Na Europa, a Bioenergy acontece dentro da Feira Agrícola de Verona, na Itália. A Fenagro foi escolhida nessa mesma linha: os produtores têm grande parte da matériaprima para a bioenergia e é jogada fora, a exemplo dos dejetos animais, que originam o biogás”.
De acordo com Mássimo Ferrese, o contato para a realização começou após uma palestra de Ivan Costa, sócio da Cebi, sobre a bioenergia no Brasil durante a Bioenergy World. “No Brasil, nós temos números invejáveis por todo o mundo, principalmente por conta do nosso programa do álcool, em que já aprendemos com nossos próprios erros”, disse.
O diretor da consultoria diz que o evento paralelo chamará a atenção dos produtores baianos para a produção dos pellets, comprimidos feitos a partir da trituração de restos de madeira que, segundo ele, estão sendo utilizados na Europa no aquecimento das casas.
“Essa é uma janela que foi aberta para a produção e exportação pela América Latina dos pellets, que têm facilidades de transporte e estoque, possuem um poder de calor mais concentrado e produzem menos fuligem. O custo de fabricação gira em torno de R$ 70 a R$ 100, vendido no mercado brasileiro a R$ 300 e a R$ 400.
Outro assunto a ser tratado no Bioenergy World Americas é o mercado de carbono, com a participação de representantes da Bolsa de Mercadores de Futuros de São Paulo e países europeus. “Com a bioenergia, voltamos para o passado a fim de buscarmos como era produzida a energia lá atrás. Com as novas tecnologias, os problemas para a natureza podem virar solução”, conceitua.