Centro de tecnologia do RS fará chip para rastrear boi (Valor Econômico)

28/11/2006

Centro de tecnologia do RS fará chip para rastrear boi 


 

O Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), que está sendo implantado em Porto Alegre pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), vai desenvolver em 2007 o primeiro chip nacional de identificação por rádio-freqüência para rastreabilidade bovina. 


O circuito integrado será também prototipado e fabricado pela instituição a partir do fim do ano que vem por menos da metade do preço dos similares importados, prevê o diretor-presidente do centro, Sérgio Souza Dias. 


"Pretendemos produzir um lote piloto de 1 milhão de tags [etiquetas] no fim de 2007 ou início e 2008", afirma o executivo. O projeto será desenvolvido em parceria com a estatal Embrapa e com a Planejar - empresa gaúcha que presta serviços de rastreabilidade bovina - e já prevê exportações para Argentina e Uruguai. 


O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) também poderá participar, com treinamento para usuários do sistema. 


O pedido de financiamento para desenvolver e produzir os chips foi encaminhado no fim da semana passada ao BNDES. O Ceitec espera acessar o Fundo Tecnológico (Funtec) do banco, que contempla repasses a fundo perdido para projetos estratégicos de tecnologia e inovação. De acordo com Dias, há necessidade de contrapartida de 10%, e esta faria será bancada pela Planejar. 


Dias prefere não revelar o valor solicitado ao BNDES até a aprovação do contrato, mas explica que o montante contempla a aquisição de novos equipamentos já para uma segunda etapa do projeto. Nesta etapa posterior, que começará em 2008, serão produzidos chips que possibilitam também a gravação de informações. Os produtos disponíveis hoje permitem só a identificação do animal. O histórico de cada um fica armazenado no banco de dados do Ministério da Agricultura. 


Apenas 20 milhões dos mais de 200 milhões de bovinos do país são rastreados. Desses, conforme Dias, somente 2% utilizam identificadores eletrônicos. Os circuitos integrados usados hoje são importados e custam aos pecuaristas de R$ 6 a R$ 7 a unidade. Os da Ceitec deverão sair por R$ 2,50. Já o preço do equipamento de leitura disponível chega a R$ 8 mil, mas ele também poderá ser substituído por um modelo nacional mais barato, igualmente desenvolvido pelo centro gaúcho. 


Um dos cinco centros de tecnologia previstos no programa CI-Brasil, do MCT, o Ceitec já enviou para prototipagem na unidade inglesa da alemã X-FAB, em outubro, os primeiros chips desenvolvidos integralmente por uma instituição brasileira para produção em escala comercial. Os circuitos foram desenhados por encomenda das empresas Altus e Innalogics, ambas do Rio Grande do Sul, e serão usados em sistemas de automação de plataformas de petróleo e de identificação por rádio-freqüência. 


O Ceitec opera provisoriamente em instalações da Pontifícia Universidade Católica do Estado (PUCRS) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A fábrica e o centro de design próprios, em Porto Alegre, ficarão prontos em abril, mas a produção local só começará no fim de 2007 devido à necessidade da instalação dos equipamentos. A implantação do centro custará R$ 185 milhões, 80% do total bancado pelo MCT. 


Conforme Dias, a instituição receberá royalties da Planejar e terá direito à propriedade intelectual sobre os chips de rastreabilidade. Ela também participa de outros projetos, como a produção de transmissores de TV digital da RF Telavo, que renderá uma remuneração de cerca de R$ 2 milhões, e já iniciou negociações com a americana Freescale e com a franco-italiana STMicroelectronics para desenvolvimento de novos produtos. 

Sérgio Bueno