Governo argentino quer limitar de novo exportações de carne bovina
O governo da Argentina deve anunciar ainda esta semana novas restrições às exportações de carne bovina numa medida para evitar a alta dos preços do produto no mercado local e possíveis efeitos nos índices de inflação do país. A medida prevê que as exportações de carne bovina fiquem limitadas a 45 mil toneladas por mês pelo período de três meses a partir de dezembro próximo.
Ontem, a informação já circulava entre tradings que atuam no mercado de carnes no Brasil e no exterior. O plano do governo de restringir as vendas externas foi confirmado por porta-voz da Secretaria da Agricultura Argentina ouvida pela Dow Jones Newswires.
No ano passado, a Argentina exportou 680 mil toneladas de carne bovina equivalente-carcaça, e a estimativa é de que as vendas externas do produto alcancem 450 mil toneladas este ano. Em setembro passado, o país embarcou 58.237 toneladas de carne, conforme dados da Senasa, citados pela Dow Jones.
É a segunda tentativa do governo argentino de evitar a alta de preços da carne bovina no país, onde o consumo do produto é de cerca de 66 quilos per capita, a maior taxa do mundo. Em março, o Ministério da Economia proibiu quase todas as exportações do produto, inicialmente, por um período de 180 dias - apenas a cota Hilton, de 28 mil toneladas - foi mantida e as vendas dentro de acordos bilaterais. Mas as travas foram aliviadas e em setembro o governo decidiu permitir a exportação de um volume de carne equivalente a 70% do total vendido em 2005.
No entanto, os preços domésticos da carne e do boi subiram na Argentina nas últimas semanas, num período em que o consumo cresce por causa do verão.
Para Jerry O'Callaghan, da Coimex, a medida indica que a Argentina vive uma crise de falta de carne bovina, após um período de forte crescimento nas exportações do produto. "As exportações cresceram muito entre 2003 e 2005, o que levou à redução do rebanho e à oferta de carne", afirma. O problema na Argentina pode, de novo, favorecer o Brasil, avalia O'Callaghan, já que abre espaço para a carne bovina brasileira no mercado.
Segundo a Dow Jones Newswires, o governo argentino teria feito circular uma lista de preços de referência para certos cortes bovinos, e os principais frigoríficos do país teriam sido aconselhados a honrar tais preços.
Alda do Amaral Rocha