Produtor baiano vence o Concurso Nacional Abic de Qualidade de Café
O produto da fazenda localizada na Chapada Diamantina se destacou e obteve o maior preço por saca do evento
O café produzido pela Fazenda Divino Espírito Santo, em Piatã, na Chapada Diamantina, conquistou o primeiro lugar no Terceiro Concurso Nacional Abic de Qualidade de Café. O resultado foi divulgado sábado, na solenidade de encerramento do 14o Encontro Nacional da Indústria de Café (Encafé), realizado em Guarapari (ES).
O lote de 10 sacas do cafeicultor Xavier Jones foi arrematado no leilão dos cafés finalistas pelo consórcio Qualidade Brasil, formado pelas indústrias Astoria Real, Guidalli e Sobesa, que pagou R$ 4.430 por saca. Entre os cafés da categoria Natural, o segundo melhor preço – R$ 1.011 a saca – foi alcançado pelo produtor baiano José Carvalho Soares, de Ibicoara, município também localizado na Chapada Diamantina.
O sócio-proprietário da Fazenda Divino Espírito Santo, Michael Freitas de Alcântara, afirmou que tinha grandes expectativas em relação a uma boa classificação no concurso. "Na primeira edição do evento, em 2004, ficamos com o segundo lugar. Este ano, tínhamos boas chances, graças às condições propícias da região de Piatã de clima e altitude e ao excelente trabalho dos nossos técnicos", explicou Michael Alcântara, que divide o prêmio com o sócio Nelson Alcântara Xavier Jones.
Este ano, a Fazenda Divino Espírito Santo, que investe em cafés de qualidade há cinco anos, teve uma área plantada de seis hectares, o que resultou na colheita de 300 sacas. Como resultado da premiação, Michael acredita no crescimento do valor agregado ao café produzido na região. "Hoje, já vendemos o café com cerca de 20% a mais do valor de mercado. Agora, creio que alcançaremos preços ainda melhores", explicou.
Para o secretário da Agricultura, Pedro Barbosa, o resultado do bom desempenho no concurso é conseqüência da conscientização dos produtores da importância de investir em cafés de qualidade. "Sempre destacamos que a Bahia não quer, necessariamente, ser o maior estado produtor, mas fazer o melhor café, e a aplicação dos cafeicultores das diversas regiões produtoras tem alcançado esse objetivo", disse.
O segundo lugar do Terceiro Concurso Nacional Abic de Qualidade de Café foi disputado por produtores do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo.
Crescimento da produção
O período 2003/2006 caracteriza-se como um dos mais prósperos para a cafeicultura baiana. Houve uma recuperação na produção do café, que atingiu este ano 2,24 milhões de sacas. A área aumentou em 11,6%, saindo de 142 mil para 159 mil hectares. A razão desse aumento expressivo na produção deve-se, em grande parte, ao aumento da produtividade, o que indica a incorporação de inovações tecnológicas aos sistemas de produção.
Este ano, a produtividade média foi de 22,9 sacas por hectare, das quais 1.715 mil (76,6%) são de arábica e 524 mil (23,4%) de café robusta. Essa produção confere à Bahia a quarta colocação no ranking dos principais estados produtores. Em 2005, a produção baiana foi de 1,8 milhão de sacas.