Conquista é o terceiro em produção
Para Claudionor, um rápido balanço do processo de introdução e desenvolvimento do café no Planalto da Conquista revela que o comércio de produtos agrícolas e equipamentos absorveu em torno de 25% daquele montante e os benefícios sociais, através dos empregos, foram consideraveis Principalmente se levado em conta que o empregado não perde dinheiro, no caso de frustracões de safra ou percalços na comercialização Caso essas mazelas ocorram, o empregado ja recebeu o seu salario e o prejuizo fica com o produtor Ainda sobre os aspectos sociais, o professor da UESB considera penosa a realidade indicativa de que 51 % de uma populacão de 500 mil habitantes ainda sobrevivam em situacáo de absoluta pobreza Ainda que o cafe tenha gerado riqueza, não conseguiu corrigir esse quadro e, entre as causas, esta o fato de que a cultura somente emprega um volume maior de trabalhadores durante seis meses cada ano de abril a setembro Apos a colheita as oportunidades de trabalho são reduzidas substancialmente Eles sobrevivem mais seis meses, ate a proxima safra, fazendo biscates Outro vetor da miseria e o processo migratorio Muitas pessoas vêm de longe, atraidas pelas noticias de que "em Conquista ha muito emprego" E esta cidade e a que suporta maior peso, se considerados os 41.53% dos colhedores de cafe residentes ali Na fase da colheita isso muda relativamente, porque a maioria das fazendas oferece alojamentos e alimentação "Com tudo isso, se não fosse o cafe o que seria dessa gente?", indaga o autor do livro Cafe e Desenvolvimento Sustentado A expressiva fatia de 46% dessa mão-de-obra e composta de analfabetos ou tem apenas o primario grau incompleto O que não e diferente entre os pequenos produtores, pois 57% ocupam posição igual Por outro lado, Conquista se orgulha da qualidade do seu cafe Prova disso e a marca Coopmac, comercializada em supermercados da região, comenta o presidente da Cooperativa O cate Nha Benta, do produtor Isaias Souza Silva, fazenda Goiabeiras, encontrado apenas em lojas de artigos especiais, proprias de aeroportos e shoppings, dentro e fora do Brasil, levantou no ano passado o prêmio nacional de melhor cafe, conferido pela ABIC Associação Brasileira das Industrias de Cafe "Um bom cafe deve ser consumido puro, sem adição de agucar ou qualquer outro ingrediente Quem o prepara deve levar o po ao fogo sem contudo deixa-lo cozinhar O cafe fino equivale a uma especiaria" uma receita de Claudionor Neto Para reaquecer a cafeicultura, Claudionor tem outra receita: "Política agrícola". Para ele, esse importante instrumento está faltando no país.
Depois, com essa política cambial em vigor, não ha produto de exportação que aguente, inclusive aqueles classificados como produtos primários. Em terceiro lugar, os juros ainda estão acima do viável.
Em quarto lugar, o endividamento do produtor é alto. A regiáo é pobre: enquanto três municípios na região de Barreiras levantam financiamentos para a agropecuária da ordem de R$ 250 milhões, 39 outros em volta de Conquista conseguem levantar somente R$ 15 milhões.
Com toda essa dificuldade, o Planalto da Conquista ainda se mantém como o segundo pólo produtor de café do estado, depois da Chapada Diamantina, com 32% das 2,2 milhões de sacas produzidas pela Bahia. Depois vem a região de Barreiras E ele argumenta: " O café não é solução para Conquista, mas faz parte do processo e dá empregos. Até mesmo o município, se julgarmos pelo bônus atribuído a prefeitura, não obtém uma remuneração capaz de lhe dar a indispensável condição para enfrentar os problemas. De quebra, veio a Lei Kandir, no governo Fernando Henrique, isentando o ICMS das exportações de commodities, a pretexto de desonerar as exportações brasileiras. Considerando que os municípios têm 25% desse tributo e que a metade do nosso café é vendido lá fora, o prejuízo é visível " .
Como pólo de serviços, nos setores de saúde e de educação, "confiamos nos resultados dessa nova fase do nosso desenvolvimento. Ela parece segura, sucedendo os tempos da pecuária, da Rio-Bahia e, mais recentemente, convivendo com o do café. No caso da educação, chegamos com um certo atraso, porque já existe um clima de competição com outros municípios. Para vencermos é preciso nos constituirmos num pólo de excelência. Há o exemplo da Unicamp, em São Paulo.
Finalmente, o professor Claudionor Neto acredita ser este desafio uma questão de visão. E o primeiro passo é a formulação de uma política de integração regional. "Se houve competência da nossa parte no exemplo do café, não será difícil praticá-la como pólo de educação. Um projeto participativo, capaz de polarizar toda a região", diz.