CTC lança cana adaptada ao Centro-Oeste

29/11/2006

CTC lança cana adaptada ao Centro-Oeste

 

 

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que pertencia à Copersucar, promete lançar em 2007 entre três e quatro novas variedades de cana adaptadas às condições de plantio de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, que junto com Minas Gerais são as principais novas fronteiras para canaviais no país. Os investimentos nas pesquisas somaram de US$ 12 milhões a US$ 15 milhões, segundo Osmar Figueiredo Filho, diretor de mercado e novas oportunidades do CTC. 


"Essas novas variedades são mais produtivas e estão adaptadas ao clima do Centro-Oeste", afirma Figueiredo. Na cesta de novas variedades, também há cana propícia à colheita mecanizada. As pesquisas com cana transgênica também seguem avançadas no CTC. 


Desde 2004, quando deixou de ser um centro de pesquisa voltado apenas às usinas da Copersucar, o CTC, com sede em Piracicaba (SP), lançou nove novas variedades. Sob a gestão da Copersucar, o centro colocou no mercado mais de 50 variedades de cana desde 1969. 


As variedades lançadas sob a nova gestão do CTC são identificadas como CTC seguida do número da ordem do lançamento da cana. A última variedade colocada no mercado foi a CTC-9. Na antiga gestão, a variedade era identificada pela letra SP, referente ao Estado de São Paulo. A abertura do CTC a outras usinas permitiu maior acesso a novas tecnologias antes restrita a três dezenas de usinas. Em sua nova gestão, o CTC conta com 132 associadas, das quais 17 são associações de plantadores de cana-de-açúcar e outras 115 são usinas. 


Com um orçamento anual de cerca de R$ 30 milhões, oriundos de contribuição de sua associadas, o CTC também mantém parcerias com empresas como a Dedini para o desenvolvimento de novas variedades, e conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Nos últimos quatro anos, os financiamento da Fapesp somaram cerca de US$ 4 milhões, conforme Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da fundação. 


Brito destaca que a Fapesp já financiou importantes projetos nessa área, entre os quais o genoma da cana, em parceria com o CTC, e outro com a paulista Dedini, cuja técnica denominada Dedini Hidrólise Rápida (DHR) permite a produção de álcool a partir do bagaço. Há quase duas semanas, a Fapesp assinou convênio de cooperação com Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Oxiteno, uma das maiores indústrias químicas do Brasil, para projetos voltados ao desenvolvimento de tecnologia para produção de álcool químico. 


No país, há algumas pesquisas em curso para o desenvolvimento da cana para regiões com pouca tradição na cultura. A Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag) e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), vinculado à Secretaria de Agricultura de São Paulo, por exemplo, fecharam convênio com a Fundação de Apoio à Pesquisa de Desenvolvimento do Oeste Baiano (Fundação BA) para desenvolver canaviais para aquela área. No Sul, a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) possui oito estações experimentais no Rio Grande do Sul. No setor privado, a Votorantim Novos Negócios há quatro anos investe em variedades de cana por meio de suas controladas CanaVialis e Alellyx Applied Genomics. 

Mônica Scaramuzzo