Médico tratou de 800 intoxicados

29/11/2006

Médico tratou de 800 intoxicados

 

O médico cardiologista Aécio Flávio Perazzo Rozendo assegura que, em seis anos de trabalho na região de Juazeiro, já tratou mais de 800 pacientes que apresentavam intoxicação causada por agrotóxicos. Ele tem montado um arquivo com todos os casos, exames de laboratórios realizados e fotografias de campo do uso dos agrotóxicos na escala de mais ou menos perigosos. “O uso de determinados agrotóxicos em ouros países se dá pelo respeito que existe à vida humana, diferente do Brasil, onde o uso é sem controle”, afirma o médico.

Segundo ele, em Juazeiro e Petrolina, há maior incidência de câncer em jovens, sendo que a faixa etária mais castigada é entre 20 e 40 anos. “O dado é proporcional à população seguindo a taxa por cada 100 mil habitantes. É uma das mais altas do mundo. Os erros vão da falha no controle, uso de agrotóxicos proibidos, comercialização fora dos padrões técnicos, desinformação, erros primários como ausência de equipamento de proteção individual, descumprimento das normas de uso dos agrotóxicos e destino de embalagens”, alerta.

Ele diz que um agricultor que passou seis meses trabalhando em qualquer cultura está 100% intoxicado e que, “do mais leve ao mais alto grau de intoxicação, só o médico ou os exames específicos podem determinar a doença que chega a causar, nos piores casos, perda de memória, de vitalidade e força muscular.

Quando o agrotóxico produz a intoxicação ativa todos os órgãos e sistemas: pele, visão, cérebro, fígado, coração musculatura, pulmão, glândulas”. O médico conta que os agrotóxicos foram responsáveis pela impotência sexual em um jovem de 22 anos e a má formação congênita.

“Todo paciente que sofre danos com agrotóxicos nunca mais se recupera 100%. A depender da precocidade do tratamento, do esforço e persistência, pode haver recuperação de pelo menos 80%.

O problema é que o veneno tem efeito retardado, é cumulativo, irreversível e lento e 95% dos agrotóxicos são cancerígenos”.