Venda de algodão dos EUA à China é recorde

29/11/2006

Venda de algodão dos EUA à China é recorde

 

 

Os Estados Unidos batem recorde de exportação de algodão para a China, enquanto o Brasil tenta na Organização Mundial do Comércio (OMC) obter nova condenação contra os subsídios americanos à fibra. As vendas americanas cresceram acima de 85% para a China, atingindo US$ 2,34 bilhões no ano fiscal de 2006 (outubro de 2005 a setembro de 2006), segundo as últimas estatísticas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O salto é ainda maior comparado há cinco anos, quando o valor ficou ao redor de US$ 100 milhões. 


A commodity mais exportada pelos americanos para a China é a soja, com valor de US$ 2,4 bilhões no ano fiscal de 2006. Mas esse montante é 6% menor do que em 2005, quando alcançou US$ 2,55 bilhões. No total, as exportações agrícolas dos EUA para o mercado chinês cresceram 23,3%, para US$ 7,6 bilhões no mesmo período, apesar das persistentes queixas de Washington contra barreiras sanitárias levantadas por Pequim. 


 
Os chineses têm importado muito algodão diante da enorme expansão de suas exportações de têxteis. Mas o fato de os EUA serem um dos principais fornecedores é atribuído aos pesados subsídios que os americanos recebem. 


Segundo a Oxfam, uma das ONGs mais reputadas na área de desenvolvimento, só em 2005 os subsídios americanos no setor de algodão alcançaram US$ 5 bilhões para uma colheita valendo menos de US$ 4 bilhões. Estudo do Serviço de Pesquisa do Congresso Americano (CRS, em inglês), órgão que prepara relatórios aos parlamentares, mostrou que as commodities americanas mais subsidiadas são justamente as mais exportadas pelo país. No caso do algodão, entre 2002 e 2005, a produção representou 20% do total global e 40% do comércio internacional. 


Em setembro deste ano, o Brasil obteve novo painel (comitê de especialistas) na OMC para examinar a queixa de manutenção pelos EUA de subsídios ilegais aos produtores e exportadores de algodão. A decisão é prevista para abril do ano que vem, e pode abrir o caminho para o Brasil ser autorizado a retaliar produtos americanos. 


Em 2006, os EUA aumentaram em 17% a importação de produtos agrícolas chineses, somando US$ 2,2 bilhões, sobretudo frutas e vegetais. Já as exportações de camarões cresceram 10%, alcançando US$ 294 milhões, apesar da sobretaxa antidumping de 113% imposta por Washington. (AM)