Cotonicultor já negociou 60% da safra (Valor Econômico)

30/11/2006

Cotonicultor já negociou 60% da safra

 

 

Mal o plantio de algodão começou no Centro-Oeste e no Nordeste do país e os produtores já negociaram cerca de 60% da produção que será colhida a partir de maio de 2007. No mesmo período de 2005, estavam comprometidos 45% do que seria colhido neste ano. A produção para esta safra, a 2006/07, está estimada em cerca de 1,3 milhão de toneladas - se confirmado, o volume será 28% maior que o de 2005/06 (1,028 milhão de toneladas). 


A recuperação dos preços na bolsa de Nova York, a boa demanda no mercado internacional e a maior disposição das indústrias têxteis brasileiras em firmarem contratos antecipados sustentaram a antecipação do ritmo da comercialização da safra 2006/07, segundo analistas e traders consultados pelo Valor. 


Os Estados do Mato Grosso, responsável por 50% da oferta nacional, e Mato Grosso do Sul registrarão o maior crescimento de área. Mas isso não significa um aumento real. Esses Estados tiveram significativas perdas de áreas por conta dos baixos preços da commodity no ano passado, lembra Hélio Tollini, diretor da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão). Bahia, segundo Estado produtor do país, continua avançando em algodão, assim como Goiás, terceiro no ranking da produção. 


O último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que o plantio no Mato Grosso ocupará uma área de até 460,5 mil hectares, 29% mais que no ciclo passado. "O Estado está recuperando a área perdida", diz Décio Tocantins, diretor da Associação Mato-grossense de Algodão (Ampa). Tocantins observa que a área no Mato Grosso sofreu perdas por conta da crise provocada pelos baixos preços e dólar desvalorizado em relação ao real. 


A Bahia novamente terá aumento de área, de 233,7 mil hectares para até 275,8 mil hectares, segundo a Conab, confirmando o movimento de expansão do Estado na cultura. A produção de algodão do Estado está concentrada no oeste baiano. 


A decisão de aumentar o plantio no país foi tomada no segundo trimestre deste ano, quando os preços já sinalizavam recuperação. Levantamento do Valor Data mostra que as cotações médias da pluma (segundo contrato) ficaram em 51,90 centavos de dólar por libra-peso em Nova York. No acumulado do ano até ontem, em 54,17 centavos, alta de 4,38% sobre 2005. 


Mais otimistas em relação aos rumos de preços do algodão para 2007 - que tem a China como um dos principais demandante da fibra -, os produtores brasileiros também já anteciparam as vendas para as safra 2007/08 e 2008/09. Para 2007/08, cerca de 373 mil toneladas de algodão já foram comprometidos e, para 2008/09, 18,5 mil toneladas. 


Marco Antonio Aloísio, trader da trading Esteve, uma das principais em algodão no país, lembra que parte desta antecipação é forçada pelas empresas de insumos, sobretudo as de defensivos. "Eles querem a garantia do produtor de que parte da safra já está comprometida para fazer o financiamento. É uma maneira de evitar a inadimplência", diz. 


Outro fator que tem beneficiado os produtores é a maior adesão das indústrias têxteis nacionais em antecipar os contratos de compra no mercado interno. "Além das grandes têxteis, empresas médias estão antecipando os contratos de compra para não correr o risco de ficar sem o produto", diz Aloísio. Esse fato justifica boa parte das importações feitas por algumas companhias, uma vez que com as exportações aquecidas o produto fica mais caro no mercado interno. Outro motivo é que as usinas do Nordeste têm benefícios fiscais na importação. Para 2006/07, a expectativa é de que a importação fique em 110 mil toneladas. 

Mônica Scaramuzzo