Produto tóxico é usado sem proteção (A Tarde)

30/11/2006

Produto tóxico é usado sem proteção

 

“Quando eu termino de pulverizar a área de plantio e vou para casa à noite, eu sinto como se estivesse gripado, com tosse, espirros e dores na garganta”, relata o agricultor Noé Conceição Costa, de 21 anos, que trabalha na agricultura e com agrotóxicos desde os 11.

Com quatro hectares de terra arrendados ele e o irmão Neilton Conceição Costa, de 18 anos, plantam feijão e utilizam veneno para evitar que “as pragas tomem conta da plantação e atrapalhem a produção”. Com um hectare plantado há 20 dias, eles jogam o agrotóxico usando uma bomba de 20 litros que é colocada nas costas, e esperam que os R$ 150 gastos com o veneno por mês possam ter feijão para colher em 70 ou 80 dias. “Se não colocássemos o veneno não teríamos nenhuma produção, pois o feijão não cresceria”, afirma Noé.

Os dois irmãos manuseiam venenos sem luvas ou máscaras, usam jeans, camisa de mangas compridas, botas, mas não protegem mãos e rosto. Para eles, é proteção suficiente. No depósito, os vasilhames ficam guardados, entre os quais o Folisuper 60 BR que contém paration metílico e é proibido em outros países, mas é autorizadas no Brasil.

CRISTINA LAURA