Agropecuária tem o melhor desempenho entre setores
Resultado é 7,8% maior que o do 3º trimestre de 2005
Entre os setores que compõem o PIB, a agropecuária obteve o melhor desempenho, com crescimento de 1,1% no terceiro trimestre em relação ao período abril-junho.
Na comparação com o terceiro trimestre de 2005, a evolução foi de 7,8%. Foi um salto, levando em conta uma seqüência de vários trimestres de baixas ou taxas negativas.
Segundo o IBGE, o crescimento deveu-se ao desempenho positivo de produtos como café (22% -no ano passado, houve queda de 13%), cana-de-açúcar (8%) e feijão (12%). Outro fator positivo foi o desempenho da pecuária (7,8%).
Assim como o maior impacto no PIB da safra da soja concentra-se no segundo trimestre, 45% da colheita do café se dá no terceiro, o que contribuiu positivamente para o resultado.
No acumulado do ano, o PIB agrícola cresceu 2,5%.
Segundo Celso Toledo, da MCM, assim como o segmento de extração mineral, o setor agropecuário "se deu bem" no trimestre por causa dos preços desse tipo de produto, que continuam elevados.
Sergio Vale, da MB Associados, acredita que o setor agropecuário esteja "em franca recuperação", mas ressalta que ele tem peso de cerca de 10% na composição do PIB -o que não tende a ajudar muito no crescimento geral da economia.
O crescimento de 7,8% do setor no terceiro trimestre é o melhor resultado desde o primeiro trimestre de 2003, quando a alta foi de 10,1%.
Previsão da CNA
Apesar do resultado positivo, a CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) prevê retração de 0,53% no PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio -conceito mais amplo que a agropecuária, por incluir também as atividades industriais ligadas ao setor.
O resultado negativo se deve principalmente ao desempenho da pecuária, com uma queda estimada em 4,38%, enquanto na agricultura a contração seria de 2,05%.
"Entre 2000 e 2004, o agronegócio foi o carro-chefe do crescimento do PIB brasileiro, mas nos últimos dois anos se retraiu tanto que já perdemos um terço do que ganhamos", disse o superintendente técnico da CNA, Ricardo Cotta.
Segundo ele, naquele período, o PIB do agronegócio cresceu R$ 100 bilhões. O setor chegou a representar 30,6% da economia brasileira, mas no ano passado caiu para 27,5% e neste ano deve ficar em 26%.
A explicação é a queda na renda que o setor rural vem sofrendo nos últimos dois anos, resultado da combinação de aumento nos custos de produção, da fraca cotação do dólar, que afeta a remuneração das exportações, e de problemas climáticos.
A pecuária sofreu ainda mais com as restrições no comércio por causa dos problemas sanitários, como a febre aftosa e a gripe aviária, enquanto a recuperação dos preços das commodities no mercado internacional, a partir de julho, representou uma alívio para o setor agrícola.