Biodiesel brasileiro atrai os italianos
As empresas do setor energético italiano têm vivo interesse em investir no programa brasileiro do biodiesel. Foi o que garantiu o representante do Ministério do Meio Ambiente da Itália e Instituto Italiano para o Comércio Exterior Diego Tomassini, que participou em Salvador do Bioenergy World Américas, seminário internacional de especialistas em produção de energia de fontes renováveis encerrado no fim de semana. É exatamente pelo fato de a Itália ser quase totalmente dependente dos combustíveis de origem fóssil (petróleo) que aquele país tem buscado alternativas.
“Nosso interesse pelos projetos de bioenergia em países emergentes como o Brasil, China e índia é muito grande por uma série de fatores”, observou Tomassini, explicando que a Itália precisa de combustíveis ecológicos como o etanol e o biodiesel, mas não possui áreas agricultáveis para produzi-los.
“Além disso, optamos por não usar energia nuclear e nossa capacidade hídrica é limitada, impedindo assim grande geração de energia hidrelétrica. Com isso, precisamos importar muito petróleo”, disse.
A solução de investir na energia de fontes renováveis nos emergentes é quase como a única saída para a Itália evitar o colapso no setor.
“Tivemos uma ameaça de apagão no último verão que serviu como um alerta para diversificarmos nossa matriz energética”, disse o representante do governo italiano, que mantém um escritório em São Paulo para fazer a ponte entre os investidores do seu país e o Brasil.
O que atrai mais nesse momento aos europeus é o biodiesel por ser a novidade do mercado. “O etanol é algo que já tem regras mais ou menos definidas para a produção, não tem segredo, enquanto o biodiesel por ser uma forma nova de bioenergia, ainda está sujeito a crescimento tecnológico e também à criação a nichos de mercado diferenciados daqueles que conhecemos hoje. É justamente aqui que se foca o nosso interesse, a possibilidade de realizar parcerias sobre novas tecnologias e ao mesmo tempo trabalhar para estabelecer mercados nos quais se poderá atuar e nos quais a Itália também pode ter um espaço”, explicou.
Segundo Tomassini os projetos seriam direcionados, no início, para a Itália, mas numa segunda etapa, visariam o mercado global.
Destacou o fato do biodiesel ter várias vertentes atraentes. “Ele trará um avanço para a humanidade devido ao caráter antipoluente, o que é importante nessa época em que vivemos um período de aquecimento global, com mudanças climáticas ameaçando o planeta.
Nesse sentido o esforço de todos os países deve ser globalizado, para melhorar as condições de vida das gerações futuras. Isso é que faz uma tremenda diferença na abordagem da bioenergia”.
Outro fator importante no programa brasileiro para Tomassini a sua “visão social profunda”. Ele sublinhou o fato de, não somente ser a exploração de uma nova fonte de energia, mas ao mesmo tempo um projeto capaz de criar novas condições de vida para uma parte da população menos afortunada, esse é um valor social agregado.
“Não podemos pensar somente no valor econômico”.
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