Construção civil e agropecuária retomam fôlego
Assim como neste ano, a economia brasileira deverá ter em 2007 setores em franca expansão e outros ainda patinando. O dólar, mais uma vez, tem tudo para ser o vilão do crescimento, com importações aumentando mais do que exportações e, assim, impedindo uma alta maior do Produto Interno Bruto (PIB) – o conjunto das riquezas produzidas pelo país.
Por outro lado, a construção civil deve repetir o bom desempenho de 2006. As mudanças de rota ficarão por conta do consumo das famílias, que deve perder o ímpeto, enquanto a agropecuária pode se recuperar, depois do fraco resultado nos últimos dois anos.
Os supermercadistas estão entre os que, apesar de terem ampliado em 5% o volume vendido, vão fechar o ano com queda no valor e só vêem perspectiva de mudança se o PIB crescer mais, informa o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Carlos de Oliveira. Já os construtores comemoram: “A construção civil é como um trem que ganha velocidade, movido pelo aumento da oferta de financiamento.
Temos oito lançamentos este ano e 11 programados para 2007 ”, contabiliza o presidente da construtora CHL e vicepresidente da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário do Rio, Rogério Chor.
As previsões variam de expansão de 2,8% até 4% do PIB em 2007. Mas os especialistas são unânimes em afirmar que o câmbio pouco competitivo afetará as indústrias têxtil, de calçados e mobiliário, entre outras, pelo segundo ano seguido.
O economista Sérgio Vale, da MB associados, prevê um saldo comercial de US$ 37 bilhões, contra US$ 45,5 bilhões deste ano. Na sua avaliação, o saldo vai diminuir porque as importações vão crescer 9% e as exportações, 3,7% (em quantidade, nas estatísticas do PIB). E o dólar continuará pouco competitivo: deve fechar o ano em cerca de R$ 2,30.
EUFORIA NO CAMPO –Por outro lado, a agropecuária começa a dar sinais de recuperação. No terceiro trimestre, o setor cresceu 7,8% frente aos três meses anteriores.
Para Jason Vieira, da consultoria UpTrend, a melhora do crédito aos produtores e a maior demanda internacional ajudaram. Alexandre Sant’Anna, da ARX Capital, acrescenta que os preços das commodities subiram e há uma demanda maior por grãos graças aos combustíveis alternativos.
Além disso, a indústria de álcool e açúcar está a pleno vapor. Ainda assim, Guilherme Bastos, da Agroconsult, calcula que as dívidas de custeio e investimento (máquinas e equipamentos) do setor, prorrogadas para 2007, chegarão a R$ 9 bilhões.
Os preços do petróleo também devem continuar elevados em 2007, diz Sant’Anna. E, este ano, a Petrobras inaugurou novas plataformas que, ano que vem, alcançarão sua capacidade máxima. A indústria de máquinas e equipamentos também poderá ter um bom desempenho, graças às desonerações fiscais anunciadas pelo governo e, junto com a construção civil, levar os investimentos a repetirem seu bom desempenho no PIB.
Coma construção civil em ritmo acelerado, as vendas de cimento, por exemplo, devem superar as expectativas e chegar a 38 milhões de toneladas no ano, 8% a mais do que em 2005, informou o presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic), José Otávio Carvalho.
Se o fôlego da construção civil parece duradouro, o mesmo não se pode dizer do consumo das famílias, que este ano cresceu 3,7% entre janeiro e setembro e foi um dos motores do PIB. Mas, para Sérgio Vale, da MB, os ventos favoráveis para o consumo vão perder velocidade.