Paraná tem doença exótica em colméias

04/12/2006

Paraná tem doença exótica em colméias

 

O Ministério da Agricultura isolou uma área de 10 quilômetros, em Quatro Barras, região metropolitana de Curitiba, para combater a doença Cria Pútrida Americana (AFB, na sigla em inglês) detectada em abelhas produtoras de mel. A doença é exótica, de difícil controle e pela primeira vez registrada no Brasil onde 70% da produção de mel é silvestre. As informações foram enviadas para a Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) pelo Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura no último dia 24, que emitiu uma nota técnica (número 52) para informar a respeito do foco detectado no Paraná. A doença poderá prejudicar ainda mais as exportações de mel da região, já afetadas pela proibição de importação da União Européia devido à grande quantidade de resíduos encontrada no mel brasileiro. Em fevereiro de 2007 uma missão da UE virá ao Brasil avaliar os sistemas de produção. O que provoca a doença é uma bactéria denominada Paenibacillus larvae. As larvas são infectadas quando comem alimento contaminado e, entre os sintomas provocados pela doença, estão os favos falhados, escurecidos e afundados; cheiro pútrido e presença de escamas coladas nas paredes do alvéolo e de difícil remoção. A bactéria é resistente a antibióticos e pode permanecer no ambiente por muito tempo. O Brasil exportou até outubro 12,8 mil toneladas de mel contra 14,4 mil toneladas enviadas para o exterior em todo o ano de 2005, com uma previsão de repetir o desempenho do ano passado. As exportações renderam US$ 20,13 milhões até outubro contra US$ 18,94 milhões comercializados para o exterior em 2005, com São Paulo sendo responsável pela maior parte da comercialização. O Paraná é o segundo maior produtor brasileiro, com 5 mil toneladas anuais mas apenas o sexto estado exportador - o primeiro em produção é o Rio Grande do Sul. Foram realizadas coletas em 33 colméias e o problema foi confirmado em 24 colméias de uma mesma propriedade. Haverá a destruição das colônias e produtos avícolas além da realização do processo de desinfecção. O Ministério também deve iniciar os trabalhos de investigação da origem do foco que ainda não foi identificada. Segundo o superintendente do Ministério da Agricultura no estado, Valmir Kowalewski de Souza, além da zona de vigilância em um raio de 10 km do foco vão ocorrer ações de restrição de trânsito de colméias. (Norberto Staviski - Gazeta Mercantil)