Petrobras produz H-Bio comercialmente em MG (Valor Econômico)

05/12/2006

Petrobras produz H-Bio comercialmente em MG

 

 

A Petrobras começa neste mês a produzir comercialmente o H-Bio, uma mistura de óleo vegetal e óleo diesel. O novo produto, no qual um percentual de óleo vegetal é adicionado ao diesel durante o refino, começará a ser feito na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, e será vendido a partir do próximo mês de janeiro. 


A produção do H-Bio na Regap, cuja capacidade corresponde a 86 mil metros cúbicos ao ano, será inicialmente de 2 mil metros cúbicos. Até o fim de 2007, outras três refinarias da Petrobras localizadas no Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo - Refap, Repar e Replan, respectivamente -, também passarão a produzir a mistura. 


O gerente-executivo de refino da Petrobras, Alan Kardec, lembrou que a produção do novo combustível permitirá um corte de 15% no volume importado de óleo diesel pela estatal a partir de 2007. Isso significará uma economia de US$ 145 milhões. Hoje, o país importa 10% do diesel que consome. 


Em 2008, outra refinaria, a Reduc, de Duque de Caxias (RJ), também vai iniciar a sua produção do combustível. A partir daí a Petrobras acredita que deixará de importar 25% do diesel que compra, o equivalente a US$ 240 milhões. 


"Nossa meta é chegar no fim de 2007 com uma produção anual de 2,56 milhão de metros cúbicos", disse Kardec, ao participar de um seminário sobre energia promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) do Rio. O investimento feito nas cinco refinarias para a produção do novo produto correspondeu a US$ 60 milhões. 


Até 2011, a Petrobras estima produzir o H-Bio em dez refinarias, em um volume total de 11,055 milhão de metros cúbicos ao ano. Segundo Kardec, a mistura será de 5% de óleo vegetal proveniente da soja na mistura do diesel, mas já existem testes com um percentual maior, de 9%. 


De acordo com o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, o plano de energia 2005-2030 elaborado pela Empresa de Planejamento Energético (EPE), a ser aprovado pelo governo federal ainda neste ano, prevê um aumento da participação da chamada agroenergia (álcool, H-Bio e biodiesel) dos atuais 17% para 23% na matriz energética do país. Por outro lado, a participação da lenha e do carvão - fontes de energia mais poluentes - deve diminuir de 13% para 4%. A mistura de 2% de biodiesel no diesel será obrigatória a partir de 2008, mas a Casa Civil e o Ministério de Minas e Energia estudam antecipar a meta para o primeiro semestre de 2007. 


Ana Paula Grabois