Pesquisadores monitoram pragas do mamão (Correio da Bahia)

06/12/2006

Pesquisadores monitoram pragas do mamão


Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Mandioca e Fruticultura, da unidade de Cruz das Almas, estão monitorando pragas e doenças do mamoeiro no Extremo Sul baiano, com o objetivo de estabelecer níveis de controle ecologicamente compatíveis com as exigências do mercado. O monitoramento das pragas é feito correlacionando a incidência com dados climatológicos e o estado da planta. As ações fazem parte do programa de Produção Integrada de Mamão, coordenado pelo agrônomo Jailson Lopes Cruz, pesquisador da Embrapa, e são desenvolvidas nos municípios de Prado, Porto Seguro e Belmonte, em parceria com as fazendas Guaíra e Palmares e com a Estação Experimental Gregário Bondar, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). Segundo Hermes Peixoto, um dos pesquisadores do grupo, as pragas mais encontradas na região são os ácaros branco e rajado e as cigarrinhas, em menor escala. Dentre as doenças fúngicas, destacam-se a pinta preta como a mais prejudicial e a Corynespora, que é a frequente, porém causa menor dano econômico.

As doenças de vírus ocorrem, mas não participam das avaliações feitas pela equipe devido à existência de um método já estabelecido e em uso pelos produtores", explica ele. Os primeiros resultados apontam exigência de controle para pinta preta, ácaros branco e rajado e cigarrinhas. As pragas e doenças são monitoradas nos plantios de mamão, no próprio sistema de controle do produtor que, em muitos casos, não leva em conta o nível da incidência dos patógenos e usa os produtos com base em um calendário de aplicações. Na Fazenda Palmares, além do monitoramento, está sendo testado o número mínimo de plantas que será utilizado para uma amostragem confiável a aplicação do método em um hectare da plantação. Na Fazenda Guaíra o monitoramento é feito comparando o sistema de produção usual da fazenda e o sistema de produção integrada. Na estação da Ceplac, estão sendo conduzidas duas quadras experimentais. Em
uma delas o controle das pragas e doenças está sendo feito mediante informações obtidas pelo monitoramento, correlacionando-se com os dados climáticos obtidos de uma estação meteorológica de aviso implantada no local. Na outra quadra não se realiza nenhum tipo de controle e apenas acompanha-se o desenvolvimento das pragas e doenças nas diferentes épocas do ano. "Com os resultados que estão sendo obtidos, os pesquisadores esperam gerar informações que permitam aos produtores, por meio do monitoramento sistemático, saber o momento certo e econômico de estabelecer o nível de ação de controle de pragas e doenças, abandonando o sistema de calendário de aplicações", explica Arlene Gomes, pesquisadora que analisa a fertilidade do solo.

O monitoramento tem sido realizado a cada dez dias pelos técnicos Márcio Sirtoli, Marivaldo de Jesus e José Antônio Souza, das Fazendas Palmares, Guaíra e da Estação da Ceplac, respectivamente e em uma das avaliações, mensalmente, com o acompanhamento dos pesquisadores da Embrapa e dos engenheiros agrônomos Paulo Roberto de Andrade e Flávia Fernandes Lopes, da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). Nesta oportunidade são feitos ajustes à metodologia e definições quanto aos níveis de presença da praga que exija o nível de controle.