Conab confirma pequeno ganho na oferta de grãos (Valor Econômico)

07/12/2006

Conab confirma pequeno ganho na oferta de grãos

 

 

O clima em geral favorável ao desenvolvimento das lavouras no país e a recente valorização das cotações internacionais de milho e soja devem de fato determinar o aumento da produção brasileira de grãos nesta safra 2006/07, que está em fase de plantio. Se confirmado, será o segundo incremento consecutivo da oferta nacional, que ainda assim ficará abaixo do recorde histórico de 2003/04. 


Conforme o terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sobre a nova safra, divulgado ontem, serão colhidas no Brasil, no total, 120,218 milhões de toneladas de grãos no ano que vem, 0,2% mais que em 2005/06 (119,944 milhões). Apesar de marginal, há motivos para o governo comemorar. 


Afinal, a crise de liquidez e renda sobretudo na cadeia de soja - que neste ano resultou em quatro pacotes de socorro e em renegociações de dívidas com impacto de R$ 20 bilhões ao Tesouro - chegou a motivar projeções de redução de até 30% da área plantada com a cultura em 2006/07. 


Previsões anteriores, da própria Conab e de analistas, já demonstravam que tamanho pessimismo carecia de bases sólidas. Segundo o levantamento de ontem, a área plantada com o carro-chefe do agronegócio nacional cairá 7,1% em relação ao ciclo passado e ficará em 20,660 milhões de hectares. E a produção do grão, graças ao clima até agora favorável, deve alcançar 54,718 milhões de toneladas, 2,4% acima do recorde atual, batido em 2005/06 (53,414 milhões). 


Grande parte das corretoras e consultorias que acompanham de perto esse mercado no país acredita que o volume de soja que será colhido em 2007 poderá ser ainda maior. Na quarta-feira, por exemplo, a Agência Rural anunciou que prevê entre 54,7 milhões e 58 milhões de toneladas; o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), por sua vez, continua trabalhando com 55 milhões, mas já se comenta sobre uma possível revisão para cima em virtude da recuperação dos preços - que também influenciou o ritmo das exportações. 


De acordo com os novos números da Conab, a safra de grãos em geral não será a maior da história e perderá para 2002/03 por causa do milho, que naquela safra registrou superprodução impulsionado pelo excelente clima (47,411 milhões de toneladas). Mas isso não significa que o horizonte é turvo para o produto. Pelo contrário. Em razão da crescente demanda por etanol nos EUA, as previsões são benéficas para o milho brasileiro, inclusive no que se refere às exportações. 


De acordo com a Conab, serão colhidas 43,568 milhões de toneladas de milho no Brasil nesta safra 2006/07, 4,5% acima de 2005/06 (41,682 milhões). Como no caso da soja, a previsão é de queda de 1,1% na área plantada total (safra de verão e safrinha), para 12,744 milhões de hectares), mas também aqui, como na soja, o clima deverá ajudar a elevar a produtividade das lavouras. 


Apesar do milho, o recorde geral poderia ser batido em 2006/07 com um "empurrãozinho" do trigo, mas essa ajuda não veio, mesmo com a recente disparada de preços do cereal no exterior. Isso porque entra nas estatísticas o trigo plantado este ano e que já foi colhido no país, e antes desse plantio a situação do mercado era desalentadora. 


Assim, a Conab confirma que a área plantada caiu 25,8% em relação ao ciclo passado, para 1,752 milhão de hectares, e que a produção foi 54,2% menor, de apenas 2,234 milhões de toneladas. Com isso, as importações brasileiras serão recordes este ano, representarão aproximadamente 80% do consumo doméstico e devolverão o país ao topo do ranking dos maiores importadores do mundo. 


Enquanto o trigo tomba, o algodão reage. Com área plantada total de 1,034 milhão de hectares, 20,8% maior que em 2005/06 - destaque para a alta de 32,7% no Centro-Oeste -, a colheita deverá render 2,115 milhões de toneladas de algodão em caroço, 25,5% acima do ciclo anterior. Segundo a Conab, o incremento reflete os melhores preços externos e domésticos. No front internacional, sustenta a valorização a previsão de déficit global, que deixa seus reflexos por aqui. 


Para os "básicos" arroz e feijão, cuja demanda interna foi estimulada neste ano pela queda de preços e pelo aumento de renda proporcionado pelo programa Bolsa Família, as estimativas do governo ficaram dentro das expectativas. No caso do arroz, a área plantada deverá recuar 0,4% sobre 2005/06, para 2,976 milhões de hectares, e a produção tende a cair 4,4%, para 11,068 milhões de toneladas; no do feijão, a área prevista é 2,6% maior (4,335 milhões de hectares) e a produção, 2% superior (3,544 milhões de toneladas). As projeções da Conab para o feijão, porém, estão recorrentemente entre as mais questionadas por analistas. 


Dos demais produtos que compõem as estatísticas oficiais, destaca-se a mamona, que apesar da baixa competitividade relativa segue impulsionada pelos projetos nordestinos de fabricação de biodiesel. Segundo a Conab, a área nacional plantada será 42,1% maior em 2006/07 (220,3 mil hectares) graças a um salto de 44,1% no Nordeste (215,1 mil), e a produção total será 45,9% superior (151,6 mil toneladas, 143,7 mil das quais em terras nordestinas). 


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