Pressão por subsídio cresce nos EUA

07/12/2006

Pressão por subsídio cresce nos EUA

Concorrência chinesa obriga produtores independentes de frutas e verduras a também pedir apoio do governo

 

Durante décadas, os produtores altamente independentes de frutas e verduras da Califórnia, Flórida e outros Estados foram os únicos agricultores dos Estados Unidos a evitar os subsídios federais, fornecendo alimentos por conta própria a milhões de americanos.

Agora, diante da nova e dura concorrência, principalmente da China, até mesmo esses orgulhosos grupos se rendem. Estendendo as mãos, os produtores de frutas e verduras uniram forças pela primeira vez, criando um grupo de lobby destinado a pressionar os políticos em relação ao projeto de lei agrícola a ser debatido no Congresso em janeiro.

Ninguém nega que as pressões da concorrência estrangeira deixam em apuros esses agricultores, cujos produtos, como alho, brócolis, alface, morango e outros, são essenciais nas cozinhas do mundo todo. Mas a questão de os EUA ampliarem ou não os subsídios para além das commodities agrícolas, como milho e algodão, historicamente protegidas, é motivo de polêmica.

'É como se as placas tectônicas da política agrícola se movessem, pois um ator completamente novo surge e exige dinheiro', disse Kenneth A. Cook, presidente do Environmental Working Group, organização de pesquisa de Washington que critica os subsídios agrícolas, impostos por leis federais que datam da Grande Depressão.

Embora alguns agricultores possam estar sofrendo, os consumidores americanos são grandes beneficiários da importação de alimentos baratos. No mercado atacadista dos Estados Unidos, por exemplo, o alho chinês custa quase metade do de cultivo doméstico.

OMC

Os subsídios agrícolas americanos já foram alvo de protestos violentos durante reuniões da Organização Mundial de Comércio (OMC), com os críticos acusando-as de favorecer os agricultores dos EUA à custa de outros mais pobres.

Os produtores americanos de frutas e verduras, com suas fazendas bem menores, nunca foram envolvidos, em parte porque seus produtos tinham retorno maior e eles não precisavam de muito apoio e nunca se organizaram em torno de um objetivo de política comum.

Mas os tempos mudaram. Os produtores enfrentam a concorrência crescente do exterior, particularmente da China, que direciona sua agricultura para as frutas e verduras, com mão-de-obra mais intensiva e valor mais alto.

A China começa a dominar todos os produtos, da maçã à cebola. As exportações chinesas também tiram espaço dos produtores americanos nos mercados do Japão e Hong Kong para itens como brócolis e alface.

Atualmente, o programa federal de subsídios agrícolas fornece mais de US$ 15 bilhões para cultivadores de cinco produtos: milho, algodão, arroz, trigo e soja. Esses produtos são considerados commodities intercambiáveis e são comercializados nos mercados mundiais, ao contrário das frutas e verduras, que são chamadas de cultivos especializados porque seu gosto e sua qualidade são vistos como altamente variáveis.

Cerca de 75 produtores americanos de frutas e verduras se uniram para apresentar um projeto de lei com programas que provavelmente resultariam em bilhões de dólares em ajuda. O projeto não pede o tipo de subsídio direto acusado de distorcer o comércio e prejudicar a agricultura nos países em desenvolvimento.

Esperando evitar uma batalha com poderosos políticos de Estados agrícolas do Meio-Oeste e do Sudeste dos EUA, os grupos de cultivo especializado pedem mais dinheiro para ajudar a comercializar seus produtos em casa e no exterior e também para pesquisa e conservação.

Ainda assim, a proposta deverá enfrentar dificuldades. Há várias outras prioridades no orçamento federal. Especialistas em agricultura dizem que provavelmente haverá menos dinheiro para o orçamento agrícola no ano que vem do que em 2002, quando houve grande aumento.