Exportação de carne deve crescer até 15% em 2007
O Brasil deve manter, em 2007, a liderança recém-conquistada também como maior exportador de carne bovina em receita cambial, lugar que até outubro passado era ocupado pela Austrália. A avaliação é de Pratini de Moraes, presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec), que divulgou ontem os números das vendas externas do setor até novembro.
"Devemos manter a liderança. Há uma redução do rebanho na Austrália por causa da seca e há expectativa de que São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul voltem a exportar [para a Europa]", afirmou a jornalistas. A previsão da Abiec é de que as exportações cresçam 10% a 15% em valor e 5% a 10% em volumes em 2007. Este ano as vendas devem fechar perto de US$ 4 bilhões, alta de 27% sobre os US$ 3,149 bilhões de 2005.
De acordo com dados apurados pela Abiec, entre janeiro e novembro deste ano, as exportações de carne bovina do Brasil alcançaram US$ 3,475 bilhões. No mesmo período, a Austrália vendeu ao exterior US$ 3,374 bilhões. Nos dois casos, os números se referem às vendas de carne bovina in natura e produto industrializado. Em volume, o Brasil, que já é líder desde 2004, exportou 2,113 milhões de toneladas (equivalente-carcaça) até novembro; a Austrália embarcou 1,338 milhão de toneladas.
Pratini atribuiu a conquista do primeiro lugar em receita cambial ao aumento dos preços médios - de cerca de 15% - por conta do embarque de produtos de maior valor agregado, como carne refrigerada e embalada a vácuo. "Houve maior diversificação de mercados e [venda de] produtos de valor agregado".
A Austrália consegue valores significativos na exportação, apesar dos volumes menores do que os do Brasil pois vende a mercados com preços médios mais altos, como Japão e Coréia do Sul, aos quais o Brasil ainda não tem acesso.
E para tentar chegar a esses mercados o Brasil precisa solucionar pendências na área de sanidade. "Assim que terminar o episódio do MS, temos que voltar a conversar sobre a abertura de mercados à carne brasileira", disse Pratini, referindo-se ao registro de aftosa no MS e Paraná em outubro de 2005. Os focos levaram países a embargar o Brasil e travaram negociações para abertura de mercados.
Um dos embargos que mais preocupa os exportadores é o do Chile, que gerou perda de US$ 187 milhões. A Abiec considera o embargo injustificado e avalia que o governo brasileiro deveria rever o acordo sanitário com o Chile. De acordo com o diretor Antônio Camardelli, testes mostraram a existência do corante astaxantina no salmão chileno (o que não é informado ao consumidor). Além disso, testes na Europa encontraram verde de malaquita e o fixador etoxin no salmão chileno, observou.