Grupo de energia japonês investe em 14 projetos
O grupo de energia japonês Chugoku Electric Power, de Hiroshima, acertou ontem a comercialização de 2,3 milhões de créditos de carbono com o Brasil, um negócio equivalente a R$ 110 milhões. O braço brasileiro do grupo financeiro Sumitomo Mitsui intermediará o negócio.
Segundo Hajime Uchida, gerente-geral para créditos de carbono do banco, ao menos 14 projetos serão contemplados, divididos entre usinas de co-geração com bagaço de cana e PCHs (pequenas centrais hidrelétricas). Há ainda um projeto envolvendo aterro sanitário. Por uma questão de confidencialidade, os nomes das empresas, situadas no Sudeste e Centro-Oeste do país, não podem ser divulgados.
"As empresas japonesas de energia estão entre os maiores compradores de créditos de carbono do mundo", diz Uchida. "A Chugoku é formada basicamente por usinas térmicas, que utilizam carvão [cuja queima incentiva o aquecimento do planeta]". Ao contrário de outros projetos, este é um portfólio de empresas cujos créditos já foram emitidos - passaram pelo processo de certificação e aprovação da ONU - e não uma compra futura.
Até agora, as empresas japonesas negociaram créditos de carbono em sua maioria com a Ásia, sobretudo Índia e China. "Mudamos o portfólio para o Brasil porque nos preocupamos com desenvolvimento sustentável e meio ambiente. Mas nem sempre os outros países levam isso em consideração".
Em 2005, o Japão não cumpriu a meta de reduzir em 5% suas emissões de poluentes para os níveis de 1990, como prevê o Protocolo de Kyoto. O país responde por 8,5% do CO² emitido no mundo, atrás de EUA (36,1%) e Rússia (17,4%). (BB)