Indústrias de aves e suínos querem se internacionalizar

15/12/2006

Indústrias de aves e suínos querem se internacionalizar

 

Assim como os grandes frigoríficos bovinos, as indústrias de aves e suínos começam seus processos de internacionalização, em busca de "hedge" sanitário e da proximidade de seus consumidores. O primeiro passo foi dado pela Sadia , que está investindo cerca de R$ 150 milhões na construção de uma unidade na Rússia. É a primeira fora do País. Sua principal concorrente, a Perdigão S.A. também pretende investir valor igual ou superior, mas na aquisição de uma fábrica. Argentina, Estados Unidos e Coréia do Sul podem ser alvo das duas empresas. "Nosso grande problema no Brasil hoje é sanitário", diz Gilberto Tomazoni, diretor-presidente da Sadia. Segundo ele, a idéia é que a partir do segundo semestre esteja em funcionamento a unidade russa - em Kaliningrado - que terá capacidade para o processamento e industrialização de 85 mil toneladas de aves e suínos por ano. Na empreitada, a Sadia terá um sócio local minoritário. Ele afirma que a matéria-prima utilizada será brasileira, podendo processar de outros lugares em caso de problema sanitário no País. A nova fábrica já tem contrato de fornecimento de hambúrguer para o MC Donalds da Rússia. "Em 2007 vamos dar ênfase à internacionalização", afirma Walter Fontana Filho, presidente do Conselho de Administração da Sadia. Além da Rússia, a empresa está investindo outros R$ 650 milhões no mercado interno, sendo R$ 400 milhões no complexo industrial de Lucas do Rio Verde (MT). A Perdigão tem um banco de investimentos identificando oportunidades na Ásia e na Europa. Segundo o diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz, a estratégia das empresas de aves e suínos é montar unidades nos grandes importadores, por isso a escolha da Rússia. Os países árabes, apesar de grandes compradores não receberiam investimentos porque não têm produção de grãos. Por isso, na avaliação de Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado, a Argentina, os Estados Unidos e a Coréia do Sul poderiam ser alvos. Os dois analistas concordam que na Argentina a indústria de aves e suínos está crescendo e poderia receber aportes de brasileiros. No entanto eles discordam quanto aos Estados Unidos. Para Molinari, seria um modo de o Brasil entrar naquele mercado, no caminho inverso das gigantes daquele países que têm se instalado aqui. Mas Ferraz argumenta que o custo de produção nos Estados Unidos é muito alto e fugiria da estratégia de investimento em mercados importadores. Para Ferraz, compras na União Européia também seriam difíceis, porque concorrência é muito forte e há problemas de fornecimento de insumos, enquanto na Ásia o empecilho seria o custo da mão-de-obra. Segundo Tomazoni, a estratégia de internacionalização da Sadia passa também por reestruturação na diretoria da empresa - foi criado um departamento específico para este setor. Com os investimentos em 2007, a Sadia pretende encerrar o ano com crescimento de 9% a 11%, sendo o mercado externo o maior responsável pelo desempenho - espera-se um aumento de vendas de até 12% neste segmento. (Neila Baldi - Gazeta Mercantil)