Cuidados no extremo sul baiano
Há cerca de um ano, no extremo sul do Estado, foi implantado um programa de monitoramento em plantações de mamão para avaliar a incidência de pragas e doenças. O trabalho é desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, de Cruz das Almas, nas fazendas Guaíra e Palmares, em Prado e Porto Seguro, respectivamente, e Estação Experimental Gregório Bondar da Ceplac, em Belmonte.
As ações fazem parte do Programa de Produção Integrada do Mamão, que determina normas de produção e empacotamento do produto para a exportação. No monitoramento, os técnicos identificam o nível de incidência dos patógenos, levando em consideração dados climáticos e o estado das plantas, para definir a forma correta de uso de agrotóxicos (compatíveis com as exigências do mercado de exportação).
"A certificação para exportação do mamão exige o uso racional do agrotóxico, mas não temos ainda informações sobre a incidência dessas pragas e fungos para programar uso do agrotóxico”, explica a pesquisadora Arlene Gomes.
Ela acredita que, com os resultados obtidos, os pesquisadores poderão gerar informações que permitam aos produtores, por meio do monitoramento sistemático.
O trabalho é feito a cada 10 dias, pelos técnicos Márcio Sirtoli, Marivaldo de Jesus e José Antônio Souza, acompanhados dos pesquisadores da Embrapa e dos engenheiros agrônomos Paulo Roberto de Andrade e Flávia Fernandes Lopes, da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).
No extremo sul há 12.500 hectares com mamoeiros e, segundo opesquisador Hermes Peixoto, as pragas mais encontradas na região são ácaros branco e rajado e cigarrinhas, esta em menor escala. A pinta preta – que causa maior prejuízo – e a corynespora – mais freqüente – são as principais doenças fungicidas identificadas.
Os primeiros resultados do monitoramento apontam para um controle da pinta preta, ácaros branco e rajado e cigarrinhas. "As doenças de vírus ocorrem, mas não participam das avaliações feitas pela equipe devido à existência de um método já estabelecido e em uso pelos produtores", explica Hermes Peixoto.
Na região, dizem os pesquisadores, as pragas e doenças são monitoradas nos plantios, por sistemas de controle dos produtores, que, em muitos casos, não levam em conta o nível da incidência dos patógenos e usam produtos com base em calendário de aplicações.
Na Fazenda Palmares, além do monitoramento, os pesquisadores testam um número mínimo de plantas, para uso como amostragem confiável quando da aplicação do método em um hectare da plantação. Na Fazenda Guaíra, é feita comparação do sistema de produção usual da fazenda e o sistema de produção integrada. Na estação da Ceplac, são conduzidas duas quadras experimentais.