Concorrência estrangeira prejudica vinícolas (Correio da Bahia)

21/12/2006

Concorrência estrangeira prejudica vinícolas 
 

 

A concorrência direta dos vinhos importados – beneficiados com subsídios – está gerando problemas para os produtores nacionais, especialmente do Vale do São Francisco, que já responde por mais de 20% da produção brasileira. Algumas vinícolas já registram queda de até 15% no volume de pedidos neste fim de ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Além de provocar dificuldades na comercialização do produto local, a competição, principalmente com os vinhos do Chile e da Argentina, tem atrapalhado os planos de crescimento das empresas.


Segundo Ivair Toniolo, gerente de produção da vinícola Terranova, a concorrência cria embaraços em função dos preços praticados pelas marcas dos países vizinhos, que pagam tributos bem mais baixos que as nacionais. “Eles contam com subsídios e conseguem oferecer os produtos por valores, em alguns casos, impossíveis de ser aplicados pelos produtores locais”, disse. Há casos também em que o valor está diretamente relacionado com um vinho de menor qualidade. “Mas, apenas por ser importado, muitos consumidores acabam optando pelo estrangeiro, mesmo o nosso vinho tendo uma qualidade bem superior”, destacou.


Até o momento, esta concorrência direta não mudou os planos da Terranova – que pertence ao grupo Miolo – de investir R$30 milhões no projeto, que prevê a ampliação da fábrica e da área plantada, localizadas no município baiano de Casa Nova. Para isso, a área cultivada de uvas será ampliada de 70 para mais de 400 hectares, aumentando na mesma proporção o número de empregos, hoje em cem postos de trabalho.


Já o gerente geral da vitivinícola Santa Maria, Marco Exner, disse que a concorrência dos vinhos chilenos e argentinos atrapalha os planos de expansão da empresa, localizada no município de Lagoa Grande (PE), também no Vale do São Francisco. “Hoje, fabricamos um milhão de litros anuais e geramos 122 empregos. Toda esta situação só atrapalha”, disse. Segundo ele, os valores praticados pelos concorrentes sul- americanos não podem ser aplicados no Brasil na fabricação de vinhos de qualidade.


De acordo com informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil possui estoques correspondentes a duas safras. Há cinco anos vêm crescendo a produção nacional e as importações que, somadas ao baixo consumo brasileiro – cerca de dois litros per capita/ano, resultam no atual quadro de dificuldades. O Vale do Rio São Francisco é o segundo maior pólo produtor de vinho do país. A região, entre a Bahia e Pernambuco, conta com sete vinícolas implantadas, cujos investimentos ultrapassaram US$90 milhões, aplicados ao longo dos últimos 15 anos.