Mortandade de peixes no Rio Joanes preocupa pescadores (Correio da Bahia)

21/12/2006

Mortandade de peixes no Rio Joanes preocupa pescadores
 

 Pesca clandestina inadequada pode ser a causa do problema que surpreende os moradores da região
  

 

Dezenas de peixes estão aparecendo mortos nas águas do Rio Joanes, em Camaçari, na localidade de Prainha, em Parafuso. Moradores e pescadores estão preocupados e afirmam que o fenômeno é inédito. Nenhum órgão ou entidade ambiental apareceu para verificar a situação, constatada ontem pela reportagem do Correio da Bahia, e que vem ocorrendo desde domingo.


Nas margens do rio, próximo às pontes ferroviária e principal de Parafuso, encontra-se espalhada grande quantidade de tilápias fêmeas ovadas. Embrenhadas nas plantas aquáticas que circundam a Prainha, os peixes mortos estão atraindo urubus e provocando mau cheiro. Pescadores do local atribuem o incidente à pesca batida com vara, feita por forasteiros. Nesta modalidade, uma rede de até 40m é estendida e peixes são assustados, acuados e encurralados com batidas de varas na água.


“A tilápia ovada faz um buraco no rio e fica na loca. Com as porradas, ela estoura, não agüenta”, afirmou o piscicultor e integrante da cooperativa de pescadores José Carlos Lima Brito, que há mais de 30 anos trabalha na região. Brito relatou que as batidas ficaram suspensas por um período, mas agora voltaram. Sem fiscalização, a pesca segue desordenada. Pescadores da região que condenam a prática já sentem os efeitos com a diminuição na produção.


Camarão - Maria Elza Rocha de Oliveira, 33 anos, e Alexandre Figueiredo, 29, que trabalhavam ontem na pesca de camarão, confirmam que as batidas têm acontecido dia e noite. O resultado é a diminuição também do sustento deles. “É errado, mas infelizmente fazem. A nossa produção caiu muito. Antes pegávamos até 30kg, hoje (ontem), por exemplo, não vai passar de 13kg. Quando eles cercam e batem, o camarão some. O rio está secando, se batessem com o rio cheio seria diferente, o impacto seria menor”, explicou Maria Elza.


O pescador João Carlos Ferreira, 27 anos, veio do município de Cansanção, nordeste do estado, para pescar com vara batida no local e atribui as mortes dos peixes à temperatura. Mas se contradiz quando reconhece que se todos parassem de bater, ele também suspenderia a pesca nesta modalidade. “É por causa da época. Bato direto e não tem nada a ver. Se está diminuindo a quantidade de pescado é a quentura”, justifica Ferreira. Em companhia de Antônio Ferreira dos Santos, 46 anos, ele veio para Camaçari, enquanto a pesca no açude Jacurici, onde trabalham, está suspensa até março.


Além de tilápias, a Prainha oferece para os pescadores pescada branca, traíra, tucunaré e paru. “É uma prática criminosa, porque condena o rio. Se morrem a mãe com as larvas e os alevinos, como garantir a continuidade das espécies?”, pergunta Brito. Ontem, ele procurou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa). A promessa é que a Coppa vá hoje ao local e o Ibama pediu 30 dias para verificar o episódio. Os pescadores asseguraram que vão acionar ainda o Centro de Recursos Ambientais (CRA) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.