Produção de cana e álcool bate recorde em 2006/07
Segundo Eduardo de Carvalho, presidente da Unica, o desabastecimento de álcool combustível está descartado
A produção de cana-de-açúcar e a de álcool no centro-sul do país bateu novo recorde. A colheita da matéria-prima na safra 2006/07 deve encerrar em 371 milhões de toneladas, aumento de 10,14% sobre o ciclo anterior (336,9 milhões), segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). A primeira estimativa indicava oferta de 375 milhões de toneladas.
Do total da cana industrializada, as usinas produziram 15,9 bilhões de litros de álcool, volume recorde, um aumento de 11,2% sobre a safra 2005/06. A produção de anidro (misturado à gasolina) ficará em 7,4 bilhões de litros, alta de 5,9% sobre a safra passada, e a de hidratado (usado na bomba), de 8,5 bilhões de litros, alta de 16,2% sobre 2005/06.
O aumento da produção de álcool reflete a boa demanda nos mercados interno e externo. Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da Unica, destacou que a prática de algumas distribuidoras de combustíveis em adulterar o álcool anidro com adição de água corrente para vendê-lo como hidratado - operação conhecida como "álcool molhado" - foi inibida desde o início deste ano com a obrigatoriedade da mistura de corante ao anidro. A medida visa inibir a adulteração do combustível e combater a sonegação de imposto.
A produção de açúcar somou 25,8 milhões de toneladas na safra 2006/07, 17% acima do ciclo anterior, de 22 milhões de toneladas.
O bom desempenho da produção sucroalcooleira reflete o clima favorável e a expansão de projetos de novas usinas no centro-sul. Nesta atual safra, 12 novas usinas entraram em operação e outras 16 unidades deverão operar em 2007/08, segundo levantamento da Unica.
A expectativa do mercado é de que a safra 2007/08 seja maior, batendo um novo recorde. No entanto, a Unica não divulgou projeções para a produção futura.
Carvalho afirmou que o abastecimento de álcool na próxima entressafra - de janeiro a abril - está garantido. Levantamento da Unica indicou que as vendas de álcool combustível para as distribuidoras ficaram em 1,07 bilhão de litros em novembro. "Os estoques mensais ficarão acima deste volume de dezembro a abril [considerando novembro como referência]", disse Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica.
Nas duas últimas entressafras, as usinas tiveram de antecipar a colheita de maio para março para garantir a oferta de álcool no centro-sul. "Não precisaremos usar o álcool da nova safra [antecipada] para garantir o abastecimento nesta entressafra", disse Carvalho.
Nesta safra, as exportações de álcool devem ficar em 2,9 bilhões de litros no centro-sul, com os EUA como principal destino. De maio a novembro, os embarques diretos para o mercado americano ficaram em 1,34 bilhão de litros, com a tarifa de US$ 0,54 centavos por galão (3,78 litros), e outros 150 milhões de litros foram para os EUA via Caribe - por conta do acordo que isenta os países caribenhos de tarifa. Para a próxima safra, a expectativa é de que os embarques via Caribe cresçam e as vendas diretas recuem, por conta da maior produção americana. As exportações de açúcar devem ficar em 18 milhões de toneladas, mantendo o país com 40% do mercado global.