Inadimplência com o BB será a maior em seis anos
O Banco do Brasil deve encerrar o ano de 2006 com um índice de inadimplência em torno de 2%, o maior dos últimos seis anos. Derci Alcântara, vice-presidente de agronegócios do BB, atribui esse resultado à crise dos grãos desencadeada nos dois últimos anos, com a queda dos preços das commodities no mercado internacional, fator que levou muitos agricultores a renegociar suas dívidas.
O índice de inadimplência no BB nos últimos anos ficou abaixo de 1%, segundo Alcântara. "Com a recuperação dos preços das commodities agrícolas, a expectativa é de que o índice de inadimplência volte a recuar", disse.
Em 2006, o BB fez o refinanciamento de 330 mil operações de crédito rural. As dívidas, nesses contratos, atingiram R$ 5,8 bilhões. Mas, este volume não preocupa o banco, que não está prorrogando os contratos, a não ser em casos no Mato Grosso. O BB avalia que os agricultores com dívidas têm plena condição de quitá-las. O BB também quer ampliar o seguro rural. Atualmente, os produtores de São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Maior instituição financiadora dos agronegócios, o BB pretende aplicar R$ 33 bilhões na safra 2006/07, dos quais R$ 6 bilhões para agricultura familiar. Em relação a 2005/06, houve um crescimento de 22% dos recursos financiados. Dos R$ 33 bilhões, R$ 22 bilhões já foram liberados desde julho, quando se iniciou a safra 2006/07. A cada safra, o banco tem aumentado os recursos para agricultura. Desde 2002/03, o banco mais que dobrou o financiamento, quando à época financiou R$ 15,2 bilhões.
Segundo Alcântara, o aumento de recursos controlados para o financiamento do custeio da agricultura empresarial é um dos fatores que influenciaram positivamente a safra atual. Já no caso da agricultura familiar, o BB acredita que é possível chegar a 1,5 milhão de contratos nos próximos três anos. Hoje, há 1,05 milhão. Há três anos, eram apenas 600 mil. Cerca de 91% destes contratos são de até R$ 30 mil. "É uma carteira bastante pulverizada", afirmou Alcântara, que assumiu ontem (21) a vice-presidência de agronegócios no lugar de Ricardo Conceição, que deixa a instituição após 42 anos.
A diretoria de agronegócios do BB pretende focar as suas forças em quatro pontos em 2007: armazenagem de produtos em fazendas, reflorestamento, bioenergia e agricultura familiar.
O programa de armazenagem do BB contratou R$ 608 milhões em financiamentos, desde que foi lançado, em março de 2004. O objetivo do programa é dar maior tranqüilidade e capacidade de negociação ao agricultor. Já o programa florestal aplicou R$ 340 milhões entre janeiro e novembro deste ano para a preservação a manutenção de reservas legais. O programa beneficia o produtor ao ampliar a legalização de áreas, segundo o executivo do banco.
O programa de biodiesel recebeu propostas de investimentos de mais de R$ 250 milhões. O objetivo deste programa é oferecer linhas de crédito aos produtores que integrem as suas atividades às empresas de biodiesel.
Alcântara também informou que o banco pretende participar ativamente do projeto do governo federal de lançar planos de safra de longo prazo, de 4 a 10 anos. Os planos de safras atuais são anuais. "Temos que ter planos mais perenes. O banco quer trabalhar na desburocratização do crédito rural."