Perigos da rinotraqueite infecciosa (A Tarde)

26/12/2006

Perigos da rinotraqueite infecciosa

 

A Rinotraqueite Infecciosa Bovina (IBR, sigla em inglês; RIB, em português) é uma doença causada pelo herpesvírus bovino tipos 1, 3 e 5.
De difícil diagnóstico, já assola o rebanho baiano nas diversas regiões do Estado. Surtos ocorrem com maior freqüência em rebanhos com deficiência de assistência técnica e cuidados sanitários.
Não há legislação regulando a ação de órgãos de fiscalização e combate. A Agência de Defesa Agropecuária do Estado da Bahia (Adab), por exemplo, não dispõe de estatísticas sobre esta virose, presente em plantéis bovinos de praticamente todo o mundo. Na semana passada, em tom de alerta, o médico veterinário Antônio Vicente Magnavita conversou, por telefone, com A TARDE Rural.
Ele apontou cuidados que o produtor deve ter na lida com o animal. Professor da área de doenças infecciosas na Escola de Medicina Veterinária da Universidade Federal da Bahia (Ufba), lembrou que a IBR apresenta vários sintomas, o que confunde o criador.
Alguns deles, acentuou, são inflamação nos olhos, escorrimento nasal e inflamação nos órgãos geanitais, nos adultos, e dor de cabeça e problemas respiratórios, nos bezerros.
Nas fêmeas adultas, a doença causa complicações pré-natais, como o aborto. “O pecuarista muitas vezes não presta atenção, pensa que é somente uma doença isolada”, comenta o professor.
O veterinário afirma ainda quegea IBR deve ser avaliada por meio de diversos diagnósticos, a exemplo de testes para brucelose, campilobacteriose, lesptopirose e diárreia bovina. O exame das amostras de sangue do animal suspeito comprova a incidência da doença e deve ser feito duas vezes, em intervalos de 30 dias, “para ver se houve aumento no nível de anticorpos”, justifica o professor.
Confirmado que o animal está infectado, o tratamento mais rudimentar é o repouso sexual, uma vez que os fluidos do coito podem contaminar os animais com o vírus, que prefere as baixas temperaturas.
Outra medida sanitária, prossegue o professor Magnavita, é separar o animal infectado dos demais e até mesmo o descarte, em casos mais graves. “O animal descartado, porém, pode ser abatido, não é prejudicial para o homem”, contrapõe o professor.
Completa, reforçando que a prevenção com vacinas só deve ocorrer após os exames de laboratório identificarem o vírus. “A vacina possui o vírus em si, e caso um animal que não esteja doente seja vacinado, acaba contaminado”, alerta. Há dois tipos de vacinas: a primeira, com o vírus morto, ou inativo; a segunda, com o vírus atenuado (em menor quantidade).