Técnicos colhem amostras de água no Rio Joanes (Correio da Bahia)

26/12/2006

Técnicos colhem amostras de água no Rio Joanes 
  
   
 

 

Técnicos do Centro de Recursos Ambientais (CRA) e da Embasa estiveram ontem nas localidades de Prainha, Camaçari, e Góes Calmon, município de Simões Filho, para colher amostras de água em diferentes pontos do Rio Joanes. O material será examinado no laboratório da Embasa na tentativa de descobrir as causas da grande mortandade de peixes detectada no local na última semana. Os pescadores que identificaram o problema apontavam como causa exclusiva a pesca predatória, mas os técnicos afirmam que o motivo do incidente pode estar num conjunto de fatores que inclui a devastação da mata ciliar, lançamento de esgoto não-tratado e produtos químicos na área e até nascentes em processo de assoreamento.


Por pertencer à Mata Atlântica, maior bioma original do país, e também o mais danificado, o território hoje constitui a Área de Preservação Ambiental (APA) Joanes/Ipitanga. O administrador da APA, Geneci Brás, luta constantemente contra as diversas ações de poluição e desmatamento, mas a combinação entre área extensa e falta de pessoal impede uma fiscalização mais atenta. O trecho também é ponto de coleta de parte da água que abastece a cidade de Salvador. As análises físico-químicas devem mostrar se ela chega contaminada às estações de tratamento da capital.


Os peixes mortos podem ser vistos em quase todos os trechos do Joanes. A água esverdeada também é sinal de poluição, que fica ainda mais evidente com o grande crescimento das plantas conhecidas como baronesas ou aguapés que, em linguagem popular, se alimentam da sujeira. “Se tem baronesa, é porque tem sujeira”, resumiu o técnico do CRA, Marco Antônio Albuquerque. Durante a vistoria, ele mostrou vários pontos onde o lodo provindo de esgotos não tratados se acumula e provoca o assoreamento dos afluentes.


Apesar de o trecho ser bastante próximo de uma estação de tratamento de efluentes (ETE) da Embasa, vários córregos não estão ligados ao sistema. Um deles passa no centro da cidade de Simões Filho e recolhe, inclusive, parte dos resíduos do hospital geral da cidade, que segue para a natureza sem qualquer tratamento.


Mas a água que passa pela ETE km 30 não está em condições muito melhores. A fiação que fazia funcionar as bombas de aeração foi roubada por vândalos, que também arrombaram os painéis de controle eletrônico. Por causa disso, a água suja recebida fica parada nos tanques. “Essa água fica tratada a ponto de sobreviverem peixes aqui, mas muitos morreram por causa desse problema”, afirmou o encarregado da unidade, Ataílton Raíldes.


Apesar de a vistoria estar marcada para o início da manhã, a bióloga da Embasa, Rosa Daltro, só chegou ao local depois do meio-dia e, mesmo assim, deu poucas informações sobre a atuação da empresa no local. Apesar de garantir que a água coletada em Simões Filho está livre de contaminação, ela não soube precisar a periodicidade dos testes e a metodologia utilizada.


Os resultados da análise devem sair, no máximo, na primeira quinzena de janeiro. No mesmo período, deve acontecer uma reunião entre os pescadores, APA, CRA, prefeituras de Camaçari e Simões Filho, Embasa e Companhia de Polícia Ambiental (Copa), para apontar as conclusões da investigação e definir metas para a conservação do local.