Siderúrgicas devastam matas nativas
Pelo menos quatro importantes indústrias siderúrgicas devastaram de forma ilegal grandes reservas de matas nativas para produção de carvão vegetal. Para justificar a origem da madeira, as empresas emitiram de fiscais falsas. O produto era transportado em enormes caminhões para os altos fornos, para a produção do ferro gusa e do aço. A fraude foi detectada por meio de investigações fiscais, autorizadas pelo governo mineiro. A força-tarefa era composta por integrantes da Polícia Militar, Ministério Público e Receita Estadual. A sonegação alcançou pelo menos R$ 70 milhões em 2006. O secretário adjunto da Receita Estadual, Pedro Meneguetti, acredita que a fraude deve corresponder a pelo menos R$ 200 milhões, na totalidade do setor industrial. Caso esse valor se confirme, o corte clandestino de florestas naturais, a cada ano, deve superar a área a capital mineira, já que apenas as quatro empresas flagradas abateram o equivalente a 49 mil campos de futebol. O promotor Paulo Bastos da Silva, que participou das investigações disse que as escutas telefônicas também ajudaram a elucidar dois assassinatos. Até agora foram detidos 17 pessoas, entre os quais os dirigentes da Indústria Siderúrgica Viana, da Usipar Indústria e Comércio Ltda, VM Fundidos e SBL Indústria Comercio. A Siderúrgica Viana produz 25 mil toneladas de ferro gusa por mês, dos quais 70% são destinados mercado externo. A produção mineira de ferro gusa representa 60% de toda produção nacional que é cerca de 6 milhões de toneladas, informa o Sindifer, que reúne as empresas mineiras do setor. Para se produzir uma tonelada de ferro gusa são necessários 500 quilos de minério de ferro e a 500 metros cúbicos de carvão, que participa com carbono na formação da liga. Há a opção de ser usar o carvão mineral, que é importado mas o seu similar, produzido a partir da madeira, é mais barato, e de melhor qualidade, já que não produz o enxofre como resíduo. O uso intensivo de madeira nativa decorre do incremento das exportações de ferro gusa para a China este ano. (Durval Guimarães - Gazeta Mercantil)