BB registra "sobra" de R$ 1 bilhão em fundo
A crise de renda no segmento de grãos e os problemas sanitários na pecuária afetaram o desempenho do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) em 2006. Administrador do fundo, o Banco do Brasil informou ontem ter registrado uma "sobra" de R$ 1 bilhão nos recursos disponíveis para empréstimos aos setores rural e empresarial neste ano. Em 2005, haviam "sobrado" R$ 600 milhões em caixa.
"Essa sobra também é justificada pela elevação das receitas do fundo e pelo aumento de 7% nos retornos dos empréstimos, que já representam 47% do total de recursos", afirmou o vice-presidente de Agronegócios da instituição, Ricardo Conceição.
As receitas do FCO são compostas por 0,6% do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O executivo, que deixa hoje (dia 29) o banco após 42 anos de serviço, informou também que a queda na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) contribuiu para o resultado ao tornar "mais atrativas" outras fontes de financiamento. "Mas parte dessa sobra deve ser consumida logo no início do ano. Já temos cerca de R$ 400 milhões em consulta".
O FCO deve registrar até o fim deste ano, segundo estimativas do BB, contratações totais de R$ 1,3 bilhão distribuídas em 43 mil operações - R$ 800 milhões na área rural e R$ 500 milhões na empresarial. "Mais importante ainda é que, por lei, 51% dessas operações são feitas com pequenos produtores e empresas", disse Conceição. Em 2005, o BB operou R$ 1,22 bilhão no FCO.
Em 2007, o fundo terá orçamento total de R$ 2,66 bilhões e, segundo aposta do BB, seu desempenho deve melhorar com o auxílio da redução média de 17% nas taxas de juros para todos os estratos de clientes.
Além disso, há bônus de adimplência de 15% em caso de pagamento em dia. A decisão, que vale também para o estoque das dívidas já contratadas, havia sido tomada em outubro.
Do orçamento global, Mato Grosso e Goiás terão direito a R$ 694 milhões em 2007. Mato Grosso do Sul terá R$ 550 milhões disponíveis e o Distrito Federal, R$ 454 milhões. A agricultura familiar (Pronaf) terá R$ 265 milhões para financiar apenas os pequenos produtores.
De 1989, quando entrou em operação, até 2006, o FCO realizou R$ 11 bilhões em operações rurais e empresariais. A carteira atual do BB registra um volume de R$ 7 bilhões em contratações. Dos 466 municípios do Centro-Oeste, 461 tiveram operações em 2006, segundo o BB. (MZ)