Uma doença simples que impede a venda de cavalos

02/01/2007

Uma doença simples que impede a venda de cavalos

Igual a um mata-burro, a babesiose eqüina, doença infecciosa também conhecida por nutaliose, piroplasmose e febre-do-carrapato, tem dificultado a passagem dos cavalos brasileiros para o mercado internacional. Bloqueios, com exigência do exame Elisa Competitivo negativo (cElisa) para piroplasmose em cavalos, atingem as exportações de eqüinos.

Durante as olimpíadas dos Estados Unidos (1996) e da Austrália (2000), o Brasil enfrentou problemas para o ingresso dos seus cavalos.

Mas, não só o rebanho nacional, de 5,787 milhões de animais (IBGE/2005), padece deste mal.

Cerca de 120 milhões em todo o mundo estão infectados por babesia e apenas 10% do rebanho mundial vivem em áreas livres da doença, informa o médico veterinário, em São Paulo, Hélio Luiz de Itapema Cardoso, colunista do portal Informativo Cavalos (www.informativocavalos.com.br).

As barreiras, comenta ele, são formadas em diversos países pelo fato de os rebanhos estarem livres da doença, mas não do vetor (o carrapato).

Assim, recomenda o exame de nutaliose pois, ao contrário do que ocorre no Brasil, é exigido em um grande número de países já livres da babesia.

Um fórum realizado na semana passada pela Schering-Plough Saúde Animal, em São Paulo, para debater a patologia, mostrou a importância do tratamento (esterilização) dos animais que serão importados ou que participarão de provas eqüestres no exterior.

Na definição do médico veterinário Hélio Luiz Cardoso, a doença é uma afecção aguda ou crônica, causada por um hematozoário (Babesia caballi ou Babesia equi) e transmitida pelo carrapato (principalmente o Dermacentor sppou Rhipicephalus spp) ou de animal para animal, por meio da reutilização de agulhas. "Há controvérsias quanto à transmissão da doença pela picada de outros insetos, por não inocularem quantidade suficiente de parasitas para infectar um animal", escreveu o veterinário, acrescentando que pode afetar cavalos, mulas e zebras.

A Europa é considerada área endêmica tanto para a Babesia caballi quanto para a Babesia equi.

Em países da África, infecções de babesia já foram diagnosticadas.

Nas Américas Central e do Sul há alta quantidade de animais infectados e nos Estados Unidos ambas espécies de babesia foram teriam sido introduzidas por cavalos importados de Cuba.

A Austrália, onde não há casos de babesiose, há um severo controle na importação e entrada de eqüinos com altos títulos de anticorpos para babesia. No Brasil existe grande quantidade de animais infectados, que impede a exportação e participação em competições no exterior, diz o médico veterinário Hélio Luiz de Itapema Cardoso para A TARDE Rural.

SINTOMAS – Após a infecção com o carrapato, o ciclo de vida, tanto da Babesia caballi quanto da Babesia equi é dividido em duas fases: uma no sangue periférico dos eqüinos, onde se encontram em forma de merozoítos e trofozoítos, e outra no carrapato. Depois da infecção com o carrapato, o período de incubação é de 12 a 30 dias para B. caballi e de 12 a 15 dias para B.

equi. Diz o veterinário que o diagnóstico é fácil e o tratamento simples, com chances favoráveis, se descoberta em estágios iniciais.

Entre os sintomas, escreveu o veterinário, em artigo recente, estão icterícia (amarelamento das mucosas), anemia, lacrimejamento, febre, falta de apetite, edema (inchaço) dos membros, apatia, o que pode deixar o animal muitas vezes fora de uma competição. O tratamento, informou, é feito com drogas babesicidas como o dipropionato de imidocarb, antitérmicos, vitaminas, antibióticos, soros acompanhados de protetores hepáticos, além de repouso.

Rui Vincenzi, coordenador de contas-chaves de eqüinos da Schering-Plough, disse que o dipropionato de imidocarb (Imizol, produzido pela Schering) funciona como agente esterilizador para ambas as babesias. “É eficaz no tratamento e prevenção da babesiose”, garantiu para A TARDE Rural, depois do fórum em São Paulo.

O médico veterinário Hélio Luiz de Itapema Cardoso, em São Paulo, escreveu que a babesia pode ser comparada à malária, pelos sintomas semelhantes, como destruição de glóbulos vermelhos, hemólise e anemia grave.