Crescimento foi de 12,9% em 11 meses

03/01/2007

Crescimento foi de 12,9% em 11 meses

 

As exportações baianas cresceram 12,9% de janeiro a novembro deste ano no comparativo com mesmo período de 2005. Apesar da valorização do real e da redução no dinamismo do agronegócio, causada pela estiagem que afetou a safra 2005/2006 no estado, as vendas externas atingiram US$ 6,1 bilhões contra US$ 5,4 bilhões. Segundo o Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo), o câmbio valorizado está sendo compensado pelos preços internacionais das commodities, já que a variação média de preços das exportações baianas teve alta de 29% nos onze meses de 2006, garantindo o incremento financeiro. Para o gerente de informações do Promo, Arthur Souza Cruz, o crescimento projetado para as exportações mundiais em 2007, de 7,6%, sinaliza a manutenção do cenário de preços internacionais altos, que deriva de mudanças estruturais no padrão do comércio internacional. "As perspectivas só devem se alterar se houver um recuo muito forte no crescimento da economia mundial, principalmente nas duas locomotivas internacionais: EUA e China", informa Cruz. Além do efeito preço, atuaram ainda a favor do desempenho das exportações baianas o dinamismo e maior conteúdo tecnológico das mercadorias vendidas para o mercado latino-americano e a expansão de novos segmentos competitivos na pauta de exportações, como o calçadista, o de móveis, material elétrico e pneumáticos. "Também contribuiu o aumento da capacidade de produção de empreendimentos já consolidados como o de papel e celulose, metalúrgico e petroquímico, resultado do ambiente macroeconômico favorável ao crescimento da economia e da reorganização e diversificação produtiva por que vem passando a economia baiana", acrescenta Souza Cruz. Destaque O destaque das exportações nesse período ficou com o setor metalúrgico, que obteve crescimento de 86,2%. O principal responsável pelo desempenho do setor foi o negócio do cobre (catodos e fios), impulsionado pelas cotações do produto no mercado internacional, que chegou a superar os US$ 8 mil a tonelada. As exportações do setor metalúrgico alcançaram, até novembro de 2006, US$ 916,4 milhões. Segundo estatísticas do Promo, outros setores com bom desempenho no período de janeiro a novembro de 2006 foram o de papel e celulose, com vendas de US$ 651,6 milhões e crescimento de 79,7%, fruto do aumento da demanda e melhora nos preços; o mineral, com US$ 208,7 milhões e 60,3% de crescimento, com o ouro em barras se destacando; e o de borracha e suas obras, com US$ 65,3 milhões e crescimento de 52,8%, graças às vendas de pneus alavancadas pela indústria recentemente instalada no estado. Apesar das dificuldades com o câmbio, o setor automotivo cresceu 4,8% no período, com vendas que chegaram a US$ 826,5 milhões. A liderança das exportações permanece com o setor químico/petroquímico, com 20% de participação nas exportações totais da Bahia, vendas de US$ 1,2 bilhão e crescimento de 16,4%; seguido do petróleo e derivados que, apesar da redução de 24,5% nas vendas, exportou no período cerca de US$ 982,4 milhões, beneficiado pelos ótimos preços do petróleo no mercado internacional. Os EUA foram o maior destino dos produtos baianos. De acordo com o Promo, a Bahia exportou para lá US$ 1,13 bilhão até novembro, o que representa um crescimento de 17,2% em relação ao mesmo período de 2005. A Argentina vem em segundo lugar, com compras de US$ 722,1 milhões; o México, com US$ 521,2 milhões; e as Bahamas, que, em função das compras de petróleo, aparece em quarto, seguidos por Países Baixos, Bélgica, Itália e China. ImportaçõesAs importações, por sua vez, alcançaram até novembro US$ 4,2 bilhões, com um crescimento de 39,6% sobre o mesmo período do ano anterior. As compras externas continuam em trajetória crescente graças ao dólar barato, ao crescimento da atividade industrial interna e ao aumento das compras de bens de consumo. Até o final do ano (janeiro-dezembro) as importações da Bahia devem alcançar US$ 4,4 bilhões, superando em 33% o volume de 2005. Para o Promo, o câmbio valorizado é o grande responsável por esse movimento, fazendo com que as compras externas cresçam inclusive acima da produção industrial. No acumulado até novembro, o maior incremento nas importações é de bens de consumo, com variação de 100% e participação de 7,4% no volume total de compras. O setor de bens intermediários lidera o volume importado, com US$ 1,9 bilhão e crescimento de 62%. O setor de bens de capital, que sinaliza mais investimentos e modernização na economia, cresceu 30,6% no ano, atingindo cerca de US$ 881 milhões. O Chile, por conta das importações de minério de cobre pela Caraíba Metais, é o principal fornecedor do estado, com um crescimento de 141,5% e US$ 889,6 milhões em vendas para a Bahia até novembro, seguido por Argentina, EUA, Argélia, México e China. Este último vem crescendo como fornecedor de peças e aparelhos para a indústria eletroeletrônica, principalmente as exportadoras. (José Pacheco Maia Filho - Gazeta Mercantil)