Piatã deve substituir o braquiarão

04/01/2007

Piatã deve substituir o braquiarão

Capim, desenvolvido pela Embrapa, resiste mais à umidade

Cerca de dez pesquisas sobre forrageiras (capins e leguminosas) estão sendo desenvolvidas em seis unidades da Embrapa e um lançamento ocorrerá já em maio. Os trabalhos são financiados em parte pela Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras Tropicais (Unipasto).

O produto a ser lançado é o primeiro material de forrageira protegido e desenvolvido no Brasil: a Brachiaria brizantha, cultivar BRS piatã. A expectativa é a de que esse cultivar substitua o braquiarão (B. brizantha, cultivar marandu), pastagem que tem enfrentado problemas em grandes extensões de cultivo, sobretudo no Centro-Oeste, secando e morrendo sem razões muito claras.

'A BRS piatã favorece diretamente o pecuarista, pois tolera um pouco mais de umidade', explica o presidente da Unipasto, Gutemberg Carvalho Silveira. Segundo ele, o governo de Mato Grosso até estuda destinar R$ 1 milhão, este ano, para pesquisar o problema enfrentado pelo braquiarão.

Ele aposta, porém, no sucesso da BRS piatã para suprir essa carência na pecuária brasileira. 'As empresas vão produzir bastante sementes', avisa.

A nova braquiária tem um valor nutricional melhor em épocas de seca (com mais proteína) e as sementes estarão disponíveis no mercado aos pecuaristas no plantio de junho a julho. 'Essa variedade é mais estável e parcialmente resistente à praga da cigarrinha das pastagens e proporciona maior ganho de produtividade de carne', diz o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, de São Carlos (SP), Luiz Alberto Rocha Batista.

EXPORTAÇÃO

Silveira diz, também, que a exportação de sementes da BRS piatã deverá se iniciar rapidamente, principalmente para Venezuela e Colômbia. O Brasil produz, anualmente, cerca de 100 mil a 120 mil toneladas de sementes e entre 6 mil e 8 mil toneladas são exportadas para quase 30 países da América Latina e da África.

A Unipasto, que atualmente tem 28 empresas e produtoras de sementes associadas, já investiu cerca de R$ 4 milhões em cinco anos de parceria com a Embrapa. As associadas da Unipasto, que têm o direito de comercialização, já estão plantando os seus campos de produção de sementes para vender a BRS piatã, desenvolvida pela Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS).

'No início da parceria foram lançados dois produtos, de domínio público, sem proteção, e já temos uma série de materiais para os próximos anos', informa o gerente de Sementes e Mudas da Embrapa Transferência de Tecnologias, de Brasília, Ronaldo Pereira de Andrade.