Quem usa aponta as vantagens
Sojicultores que seguem à risca manejo integrado estão satisfeitos
Embora muitos produtores estejam abandonando o MIP, alguns têm feito a lição de casa, como a Sementes Lagoa Bonita, em Itaberá (SP), que utiliza o programa há quatro anos, desde que começou a produzir sementes de soja. A vantagem principal, conforme o gerente de Qualidade de Sementes da empresa, o agrônomo Manuel David Lapapiat Herrera, é a possibilidade de aplicar defensivos no momento certo.
O monitoramento é semanal, em todas as áreas da fazenda, da emergência da soja (para verificar a presença de plantas daninhas, insetos e doenças) à floração. 'O MIP proporciona boa economia em inseticidas e ainda é ecológico, graças ao uso de produtos seletivo s.'
Na região, a ferrugem é a doença mais temida, pois tira muito da produtividade. 'O MIP tem ajudado a reduzir as perdas por ferrugem', afirma Herrera, pois o programa contribui para melhorar a produtividade, que chega a 3.400 por quilos/hectare.
DESCONHECIMENTO
Embora nunca tivesse ouvido falar sobre o MIP, o sojicultor Sebastião Lucio Rodrigues, da Fazenda São Roque, também em Itaberá (SP), já usa o programa há três anos. Na verdade, quem faz o monitoramento e o planejamento do controle das pragas e doenças das suas lavouras é o agrônomo Roberto Ishimura e sua equipe , que verificam o nível de doenças e pragas e passam o receituário com a recomendação sobre a quantidade necessária e os intervalos de aplicação. Rodrigues produz soja desde 2000 e cultiva 520 hectares com a variedade precoce, para fugir da ferrugem . Agora que já sabe o que é o MIP, ele garante: 'Seria difícil tocar a lavoura sem ele', diz.
O agrônomo Roberto Ishimura presta assistência a 8 mil hectares monitorados pelo MIP no sudoeste paulista, que semanalmente recebem a visita de agrônomos que realizam pontos de amostragem em cada lote, identificando, além da nutrição da lavoura, plantas daninhas, pragas, doenças e o nível de infestação. Conforme explica, o MIP ajuda a identificar e a tomar decisão sobre o controle no momento mais adequado.
A orientação, observa Ishimura, é sempre no sentido de realizar o manejo em nível de danos. 'A recomendação de aplicação de inseticida só é feita quando a praga atinge danos que comprometam a lavoura, segundo os parâmetros estabelecidos pelo MIP', explica.
'Hoje, quando se constata um percevejo por metro quadrado, o que antes era tolerável, é sinal de alerta. Acima de dois, é crítico e deve ser controlado com urgência.' O inseto está chegando mais cedo, a partir do florescimento.