Dois tipos diferentes, mas perigosos
O poder de destruição da sigatoka-amarela não é tão voraz quanto o da sigatoka-negra, diz o pesquisador Sebastião de Oliveira e Silva. “A planta morre, principalmente, porque a folha é sua boca e, através dela, se alimenta”, explica. A sigatoka-negra é mais agressiva, porque o agente da doença, o Mycosphaerella fijiensis, espalha-se mais abundantemente do que a Mycosphaerella Musicada, agente causal da sigatoka-amarela.
Identificada pela primeira vez em 1963, nas Ilhas Fiji, no Vale de Sigatoka, na Ásia, passando para o continente americano em 1972, em Honduras, e em 1979, na Costa Rica, depois, em 1981, estava na Colômbia, quando, em fevereiro de 1998, foi identificada no Brasil, nos municípios de Tabatinga e Benjamin Constant, no Estado do Amazonas.
Atualmente, todos os Estados da região Norte já foram infectados pela doença, além de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Esta situação permanece desde o início de 2001.
O ciclo de vida do fungo é determinado pelas condições climáticas, pelo tipo de planta que o hospeda e o manejo da cultura. A sigatoka-negra é uma doença de mais de 40 anos, classificada como A2 no Brasil. Como tal, continua sob o controle da Secretaria de Defesa Sanitária Vegetal, vinculada ao Ministério da Agricultura. Cada Estado tem um órgão de defesa, que procura fiscalizar e agir nas áreas de fronteira e no interior.
As medidas de proibição geradas quando da constatação de uma doença quarentenária, como a sigatoka-negra gera insatisfações diversas devido às conseqüências econômico-sociais que são criadas.
Na avaliação dos produtores, o fato de a sigatoka-negra ser uma doença passada apenas com o contato das folhas, não se justifica a proibição do envio dos frutos para regiões consideradas livres.
Várias pesquisas neste sentido foram iniciadas para mostrar a capacidade de sobrevivência de conídios (esporo produzido por fungos na fase de reprodução assexual ou polinização) da sigatoka em diversas superfícies, como madeira, plástico, algodão, papelão, pneu, ferro, folhas e frutos de bananeira, geralmente usados no transporte da planta.
Estudos mostram que os conídios permaneceram viáveis até a última avaliação aos 60 dias, quando mantidos em folha de bananeira e tecido de algodão; até 30 dias em papelão, madeira, plástico e pneu; até 18 dias em fruto e até 10 dias em ferro. Os resultados foram similares para os três ambientes trabalhados: sala com ar-condicionado (17,8 20,1° C e 40 50% de UR); sala com temperatura ambiente (23,6 29,8 °C e 55 75% de UR) e sob galpão em condições de campo (22,2 30,9 °C e 60 92% de UR).
A constatação da sobrevivência desses conídios nas diversas superfícies e a observação de frutos de banana prata anã, colhidos de áreas com grande infestação da praga criou a necessidade de avaliar produtos capazes de erradicar esporos aderidos a diferentes superfícies. Nesse sentido, as pesquisas mostraram que os produtos amônia quaternária, benomil, ecolife-40 e thiabendazole a 100mg/l inibiram totalmente a germinação de esporos. A mesma eficiência foi vista em relação a esses produtos aplicados em concentrações de 100 e 200mg/l, sob a forma de imersão ou pulverização de frutos colhidos em áreas com a doença.
A sigatoka-negra é extremamente agressiva, podendo causar perdas de 100% na produção das variedades suscetíveis, como prata e maçã. Já na banana-da-terra, que também é suscetível à doença, as perdas têm sido menores, atingindo 70% da produção dos bananais.