Mais uma forma de combate a doenças que atacam bananas
O Estado da Bahia, com as fronteiras fechadas, tem permanecido livre da sigatoka-negra, doença fatal para os bananais, mas, internamente, enfrenta a sigatoka-amarela, uma variedade mais leve, porém não menos perigosa, por destruir as folhas, até matar a planta.
Segundo maior produtor de bananas do País, com perto de 800 mil toneladas por ano, atrás de São Paulo, que colhe mais de mil toneladas (IBGE/2003), a Bahia tem procurado formas de se livrar das doenças e, mais ainda, meios para enfrentar a sigatoka-negra, caso ultrapasse as barreiras sanitárias.
Finalmente, depois de muitas pesquisas, foram lançadas a japira e a pakovan Ken, duas variedades de bananeira resistentes à sigatokaamarela e à sigatoka-negra, obtidas por meio de melhoramentos genéticos, desenvolvidos conjuntamente pela Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, em Cruz das Almas (BA), e Embrapa Acre, em Rio Branco, no Norte do País.
O principal responsável pelas pesquisas em Cruz das Almas é Sebastião de Oliveira e Silva, doutor em melhoramento de plantas, que desenvolve trabalhos desde 1982.
Em suas pesquisas, ele aliou características distintas de cada variedade até chegar à que mais resiste à sigatoka e ao mal-do-panamá, doença endêmica nas regiões produtoras de banana do mundo.
“Os produtores que tiverem em seu bananal variedades resistentes à doença nem perceberão quando ela chegar”, assegura o pesquisador, completando: “Com a descoberta dessas variedades resistentes, a sigatoka-negra não vai interferir nas lavouras, caso avance as fronteiras do Estado.” A cultivar japira é um híbrido obtido por meio de cruzamentos entre a pakovan (AAB) e o híbrido diplóide M 53 (AA). Ela produz frutos saborosos, é resistente ao despencamento e mostrou boa produtividade e resistência às duas doenças e ao mal-do-panamá. Os frutos são resistentes à antracnose – fungo que sobrevive em restos de cultura e nas sementes.
A variedade pacovan Ken é um híbrido tetraplóide (AAAB), de porte alto, resultante do cruzamento da cultivar pacovan com o híbrido diplóide (AA) M 53, criada na estação de Cruz das Almas – Ken é em homenagem ao seu criador, Dr. Kenneth Shepherd. A quantidade, o tamanho e a produtividade são superiores aos da pacovan.
Segundo o produtor Edson Dias de Almeida, em Wenceslau Guimarães, no Recôncavo, não há diferença no sabor da japira e pacovan Ken, comparado com a prata.
“Eu enviei alguns cachos para amigos, produtores da região; um deles levou para Salvador e disse que ninguém notou diferença no sabor”, disse ele, assegurando que a produtividade das duas cultivares é mais rentável economicamente, porque a quantidade de frutos colhidos é maior e com boa aceitação no mercado. “Da prata comum, eu vendia um cacho a R$ 1 e para encher uma caixa precisa-se de dois cachos; com a pacovan Ken e a japira, vendo um cacho a R$ 6 e um enche uma caixa”, finaliza.
Outras cultivares também foram pesquisadas para resistência às doenças, como caipira, prata baby (nam), prata graúda, preciosa, tropical, maravilha, caprichosa, garantida (essas duas provenientes do Amazonas), vitória, thap maeo, além da FHIA 18, híbrida da prata anã, conseguindo ótimos resultados. Além da banana, a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical possui pesquisas para culturas de abacaxi, acerola, maracujá, mandioca e mamão.
BIOFÁBRICA – Com o intuito de desenvolver produtos de qualidade genética, uma parceria da Embrapa com a Campo Biotecnologia Vegetal resultou na biofábrica, onde mais de 680 mil mudas foram clonadas em 2006. “Para criar uma dessas mudas, passa-se um ano para finalizar o processo”, diz Geraldo Fernandes Teixeira, gerente administrativo da biofábrica.
As matrizes são multiplicadas em laboratório, para que no final do processo o produto resistente à sigatoka possa ser comercializado.
O custo de produção é determinado pela espécie da banana e, geralmente, uma muda pode ser vendida entre R$ 1,30 e R$ 2. “Enviamos nossas mudas para todos os tipos de produtores, em todos os Estados”, informa. As sementes, após colhidas das matrizes, são colocadas em pequenos vidros com uma espécie de gel que contém os nutrientes específicos para a germinação e resistência às doenças.