Teste mostra produtividade maior em cebolas orgânicas

08/01/2007

Teste mostra produtividade maior em cebolas orgânicas

As experiências da Embrapa Semiárido no Vale do São Francisco chegaram até os campos de cebola e estão trazendo novidades na área dos orgânicos. Com base nas exigências nutricionais e na alta incidência de pragas e doenças no plantio, os pesquisadores exibem evidências de que a produtividade no orgânico pode superar a plantação convencional.
Apesar da freqüência e da intensidade de uso de insumos nas práticas agrícolas, o objetivo é mostrar que os cultivos alternativos não devem ser considerados de alto risco ou de pequena viabilidade comercial. A pesquisa é financiada pelo Banco do Nordeste e tem como parceiros a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e a Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA).
Após dois anos em testes, os pesquisadores chegaram ao manejo orgânico, produzindo cerca de 38 toneladas por hectare de bulbos comerciais de cebola, uma quantidade superior à média registrada com os métodos tradicionais de cultivo na região, de 20 toneladas por hectare. De acordo com o pesquisador da Embrapa Nivaldo Duarte Costa, “este resultado demonstra a viabilidade técnica da alternativa e abre aos agricultores as portas para um mercado em franca expansão no Brasil: o de produtos orgânicos”. Ele informa ainda que as oportunidades comerciais neste mercado podem contribuir para a redução da instabilidade dos preços praticados na comercialização desta cultura e, destaca, são freqüentes.
O pesquisador e professor do curso de agronomia da Uneb, Jairton Fraga Araújo, diz que a cebola orgânica possui vantagens, a exemplo da qualidade de ser um produto natural, sadio, de alto valor biológico e isento de agrotóxicos, que dá maior valor agregado.
“Por esse motivo, os preços alcançados nos mercados são sempre mais elevados que os da cebola convencional, com a vantagem de ter um custo de cultivo praticamente igual ou inferior. É mais rentável para o agricultor”, afirma Jairton Fraga Araújo, citando valores registrados no dia 26 de dezembro em diferentes locais.
“Um grande supermercado do Sudeste do País vendia 600 gramas de cebola orgânica a R$ 5,24. No mesmo lugar, 1 kg de cebola comum, tipo pêra e roxa, custava de R$ 1,04 a R$ 3,14. Um dos poucos agricultores do Vale do São Francisco que conseguiram cultivar cebola orgânica em 2005 vendeu seu produto em São Paulo por R$ 36 (saca de 20 kg) e, na mesma época, a mesma quantidade da convencional era vendida no Mercado do Produtor de Juazeiro por R$ 8”, informam os pesquisadores.

TIPOS – De 18 variedades de cebola estudadas nos testes experimentais para produção orgânica, a Brisa foi a mais produtiva. Os especialistas, porém, continuam avaliando outros procedimentos relacionados ao preparo do solo e plantio de leguminosas, como a mucuna preta, o guandu e a crotalária.
Semanalmente, as plantas receberam aplicações de biofertilizante foliar à base de macro e micronutrientes.
Segundo o pesquisador Nivaldo Costa, foram testadas fontes alternativas para substituição dos insumos químicos na adubação, a exemplo do fosfato natural, no caso do fósforo; da torta de mamona, no suprimento de nitrogênio; e o composto Sul-Po-Magpara, fertilizante liberado para uso na agricultura orgânica, informa em seu site a Fértuz, empresa produtora. Diz, ainda, que este mineral natural (langbeinita) contém três nutrientes essenciais para o crescimento das plantas: potássio, magnésio e enxofre, bons para a cebola.