Agricultor brasileiro empobreceu
Nas últimas quatro safras – de 2003 a 2006 –, o Brasil produziu 476,1 milhões de toneladas de grãos, mas o agricultor empobreceu. As dívidas somam R$ 23,9 bilhões. Mas as previsões são de boa produção em 2007, entre 118 milhões e 120,2 milhões de toneladas, e preços melhores. A boa fase deve se manter em 2008, e, segundo consultores, o produtor deverá colocar dívidas em dia.
“Esperamos novos investimentos e grande expansão da agricultura a partir de 2009”, prevê André Pessoa, da Agroconsult.
O desafio para o produtor é pagar o que deve e continuar produzindo. “É uma dívida com juro caro. O governo precisa rever esse endividamento”, defende o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), César Ramalho. Para ele, a agricultura andou “de marcha à ré” na maior parte do governo Lula. “Entramos em 2003 com renda e investimentos para ampliar a produção, mas, de lá para cá, só houve queda”, disse.
Descapitalizado, o agricultor foi às ruas pedir a rolagem das dívidas. O maior problema, segundo Ramalho, foi o câmbio, com o dólar desvalorizado ante o real. “Na primeira safra do governo Lula, vendemos soja com o dólar a R$ 3,80. Na última, a moeda americana valia R$ 2,18”. Ramalho lembra que o setor de carnes também sofreu um grande impacto com a comprovação da aftosa no MS, em outubro de 2005. Ele acha que o governo precisa reduzir “com urgência” o risco sanitário.
Para Ramalho, apenas a cana-de-açúcar, beneficiada pelo uso do álcool como combustível, e a laranja se salvaram na crise do agronegócio.
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antônio Nabhan Garcia, está convencido de que a crise na agricultura teve motivação política. “O que quebrou o produtor foi a comida barata para viabilizar o (programa) Fome Zero, foi a fartura na mesa da população pobre bancada com o prejuízo do agricultor”.
*A queda nos custos de produção e a recuperação dos preços apontam para um ano de lucros.
Os preços internacionais estão em alta por causa do crescimento da demanda por biocombustíveis.