Santo evita aftosa, diz Simões
O trabalho de vigilância sanitária animal efetivado nos últimos governos estaduais do PFL, que fez a Bahia obter o status de zona livre da febre aftosa bovina desde 2001 (o último caso de contaminação ocorreu em 1997), foi colocado em xeque por uma simples frase do novo secretário da Agricultura Geraldo Simões, ontem, durante a apresentação dos novos dirigentes de órgãos da pasta: “Eu soube que Senhor do Bonfim ajudou muito (a proteção do Estado) para que não acontecesse nada de mais grave”, disse, irônico, ao ser questionado sobre a eficiência da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).
“É claro que Senhor do Bonfim vai continuar nos ajudando, mas queremos melhorar a equipe, procedimentos e com o apoio e a tecnologia disponível no Ministério da Agricultura”, prosseguiu, declarando, entretanto, não ter ainda identificado “falhas” no trabalho da Adab. A sanidade animal da Bahia, era considerada um dos orgulhos da área agrícola do ex-governador Paulo Souto e apresentado sempre como de fundamental importância para o desenvolvimento da pecuária baiana.
Simões se disse preocupado com o assunto pois acredita que, melhorando o sistema de proteção sanitária, o Estado poderá atrair mais investimentos agropecuários.
“Queremos montar uma rede de laboratórios em conjunto com as universidades federais e as estaduais e os institutos de pesquisa”, disse, defendendo uma maior interação da secretaria com o Ministério da Agricultura.
“A maior parte dos recursos da Adab vem do governo federal e é até por isso que recrutamos um servidor da Superintendência do Ministério da Agricultura na Bahia para dirigir a agência (Altair Santana de Oliveira)”, explicou, informando que sua intenção é usar “a inteligência das universidades” para “melhorar a sanidade e com isso aumentarmos as possibilidades de investimentos no Estado”.
Uma equipe será formada especificamente para a atração de novos empreendimentos.
PRIORIDADES– A região cacaueira e o semiaacute;rido são as duas regiões que terão prioridade da nova administração da Secretaria da Agricultura. “O sul da Bahia é uma região que está em crise há 20 anos, crise que desagrega um sistema que 25 mil produtores, 450 mil trabalhadores.
A idéia é ir além da prorrogação de dívidas a cada seis meses, ter um tratamento a longo prazo, liberar dinheiro novo, diversificar e industrializar nossa produção”, afirmou o secretário Outro ponto a ter tratamento especial no governo Jaques Wagner é o da agricultura familiar.
Conforme Simões, 14% da agricultura familiar do País está na Bahia, mas o Estado só recebe 5% dos recursos para o setor. “Não havia na estrutura da secretaria um setor para cuidar disso. Na reforma, o governador criou uma superintendência de agricultura familiar e vamos trabalhar em conjunto com o governo federal”, disse.
A apresentação dos novos dirigentes da pasta da Agricultura atraiu o dobro de pessoas comportadas comportadas pelo auditório da secretaria.
Entre os convidados por Simões estavam o senador e ex-governador João Durval (PDT), o ex-governador Roberto Santos, o reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Naomar Alcântara, e os secretários da Indústria e Comércio, Rafael Amoedo, da Educação, Adeum Sauer, e da Integração Regional, Edmon Lucas. Na platéia, havia dezenas de prefeitos, dirigentes sindicais e lideranças políticas de diversas regiões do Estado da Bahia.