Safra de trigo deve dobrar em 2007
Motivados por preços firmes nos mercados externo e interno e pelas perspectivas de um cenário global de oferta e demanda apertado, os produtores brasileiros de trigo começam a se preparar para a safra 2007/08 com a expectativa de que a área para o cereal aumente no país. A forte quebra registrada em 2006, provocada pela geada no Rio Grande do Sul e pela estiagem no Paraná, parece ter ficado para trás.
Mesmo se a área plantada permanecer estável em relação a 2006/07 (1,752 milhão de hectares), e se não houver problemas climáticos, a produção poderá dobrar, de 2,2 milhões de toneladas para cerca de 4,5 milhões. Com um aumento conservador da área, o volume pode chegar a 5 milhões de toneladas, segundo analistas.
Levantamento feito pelo Valor junto a técnicos do Departamento de Economia Rural do Estado do Paraná (Deral) e da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS) mostra que a área plantada nos dois principais Estados produtores do país - Paraná e Rio Grande do Sul, respectivamente - deverá crescer em 2007/08 (plantio e colheita durante 2007 e comercialização até o ano seguinte).
Após uma produção frustrada pelo clima, que resultou em uma quebra de mais de 50%, para cerca de 2,2 milhões de toneladas, os triticultores devem avançar nas áreas ocupadas com aveia e disputar a área de soja com os produtores de milho safrinha. "Apesar das incertezas por conta do clima e mercado, os preços estão mais firmes", afirma Otmar Hubner, agrônomo do Deral. "Há um incentivo para o maior plantio por conta da evolução dos preços no mercado internacional", diz Ataídes Jacobsen, assistente técnico da Emater/RS.
No Paraná, maior Estado produtor, o plantio em 2006/07 ocupou 696 mil hectares, mas a colheita foi em uma área de 589 mil hectares, uma quebra de 15,3% da área plantada. No Rio Grande do Sul, a quebra atingiu 14,5% da área, cujo plantio ocupou 887 mil hectares, mas a colheita foi em uma área de 758 mil hectares. No país, a área ocupou 1,752 milhão de hectares, recuo de 25,8% sobre a temporada 2005/06.
"Os produtores de trigo vão disputar área com o milho safrinha, mas existe espaço para todo mundo", reitera Hubner.
Nesta semana, a tonelada do trigo em grão está cotada a R$ 500 para compra no Paraná, valor 31,5% maior que no mesmo período de 2006. No Rio Grande do Sul, o produto está cotado a R$ 470 para compra, alta de 36,2% sobre igual período do ano passado, segundo a Safras&Mercado. A expectativa é de que os preços sigam firmes nas próximas semanas, uma vez que os produtores estão segurando as vendas.
Na bolsa de Kansas, o contrato de trigo para maio fechou ontem cotado a US$ 4,7925 por bushel, um aumento de 29,7% em 12 meses. "Os preços do trigo também têm sido influenciados pelas altas do milho e da soja", afirma Murilo Fracaroli Garcia , da corretora paranaense Correpar.
A produção global, que deve atingir a marca de 588,5 milhões de toneladas em 2006/07, com redução de 5% em relação à safra anterior, poderá crescer em 2007/08. Os EUA sinalizam elevação de 8,8% da área com o cereal.
Os estoques das indústrias moageiras do país estão confortáveis. Segundo Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico, as indústrias já importaram cerca de 3 milhões de toneladas de trigo da Argentina. A expectativa é de que a importação de trigo seja recorde, em torno de 8 milhões de toneladas, por conta da menor safra do Brasil em 2006/07. "A Argentina será responsável pelo abastecimento de até 6,5 milhões de toneladas de trigo para o Brasil. As indústrias terão de importar até 1,5 milhão de toneladas dos EUA e Canadá", afirma Pih.
Ele está entre os que acreditam que a plantio de trigo será maior no país e que a produção poderá mesmo atingir 5 milhões de toneladas no ciclo 2007/08.