Melhoram as projeções da Conab para ciclo 2006/07
Mesmo sem ir a campo para atualizar suas previsões, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou ontem (dia 11) um incremento nas estimativas de colheita de grãos, fibras e cereais para a safra 2006/07. Iniciado em julho, o ciclo deve resultar na colheita de 121,53 milhões de toneladas. A estatal reviu sua projeção anterior de 120,22 milhões de toneladas com base em consultas a secretarias estaduais, bancos, cooperativas e produtores rurais no fim de dezembro de 2006.
A elevação nas previsões do Ministério da Agricultura deve-se, sobretudo, à recuperação da produtividade das lavouras de soja, arroz, feijão e milho em função das boas condições climáticas dos últimos meses, principalmente no Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O resultado também reflete os bons preços no país para algodão e milho da segunda safra. "Fomos até conservadores nesta previsão. As perspectivas apontam para uma safra igual ou melhor à que foi colhida em 2002/03", disse Jacinto Ferreira, presidente da Conab. "Este levantamento não traz os efeitos das chuvas que estão caindo agora". Em 2003, o país colheu um recorde histórico de 123,2 milhões de toneladas.
Se confirmada a projeção, a produção nacional será 1,3% superior à apurada na safra passada, de 119,95 milhões de toneladas. A área plantada, porém, deve continuar em queda de 4%, para 45,2 milhões de hectares. No primeiro levantamento, divulgado em outubro de 2006, previa-se uma redução média de 4,3%. A variação também tem a ver com a nova metodologia da Conab, que antes usava o potencial de produção de cada cultura e agora utiliza cálculo médio das últimas cinco safras.
Pelas informações consolidadas pela Conab, o campo confirma um ano favorável a boas chuvas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mas sujeito a complicações no Nordeste, que responde por 8,7% da produção nacional. Os resultados da atual safra poderiam ser ainda melhores, não fosse a forte quebra na produção de trigo, que caiu 54,2% em relação ao período anterior. A produção caiu de 4,87 milhões para 2,23 milhões de toneladas. Assim, o país terá que elevar de 6,26 milhões para 7,93 milhões de toneladas as importações do cereal neste ciclo. E os estoques ficarão em baixo patamar - apenas 247,3 mil toneladas.
As novas previsões da Conab elevaram em 29,4% a produção de algodão em pluma, para 1,34 milhões de toneladas. A melhora nos preços externos e a perspectiva de aumento nas exportações explicam o desempenho. As vendas devem sair de 330 mil para 463 mil toneladas. A produtividade, porém, tem sido determinante para a alta. Na soja, ainda carro-chefe da produção nacional, a previsão chega a 54,87 milhões de toneladas, um acréscimo de 2,7% em relação à safra passada. Mesmo com uma área 7% inferior por causa da descapitalização do produtor, o câmbio desfavorável e os preços baixos do início desta safra. Para o milho, a área será 1,4% inferior, mas a produção deve crescer 6,9%. A Conab prevê uma colheita de 34 milhões de toneladas na safra de verão. Para a colheita de inverno, está previsto um crescimento de 8% na produção, para 10,67 milhões de toneladas. A área plantada deve aumentar 5,8%, para 3,46 milhões de hectares.
Para o feijão, a Conab prevê o plantio de uma área 8,9% superior à safra passada em função do menor custo de produção e os bons preços. A produção deve crescer 27,5%, para 1,47 milhão de toneladas. No arroz, apesar da necessidade de elevar as importações, os produtores devem plantar uma área 1% inferior ao ciclo passado. E a produção deve cair 4%, para 11,11 milhões de toneladas.