Sisbov começa finalmente a funcionar
As divergências em torno das regras do novo sistema de rastreamento de bovinos (Sisbov) parecem ter finalmente chegado ao fim. Espécie de "carteira de identidade" do gado, o serviço na prática começou a funcionar nesta semana, com cerca de 38,2 milhões de animais vivos registrados em sua base de dados.
A implantação do Sisbov, que estará completa em janeiro de 2009, é uma exigência de alguns mercados importadores, como a União Européia e o Chile. O serviço tem por objetivo aferir a qualidade da carne e resume informações sobre a vida dos animais desde o nascimento até o abate.
Modificado e combatido por pecuaristas e frigoríficos em diversas ocasiões desde 2002, o Sisbov enfrenta, porém, uma pendência final, que será debatida pelos agentes da cadeia produtiva na próxima semana. Os produtores querem livrar-se do ônus da leitura dos brincos de identificação dos animais no momento do embarque para o abate. "É fácil. O produtor gera uma planilha com os dados do rebanho e repassa aos frigoríficos, que fazem a conferência na entrada para o abate", diz o diretor de Sistemas de Produção e Sustentabilidade do Ministério da Agricultura, Paulo Nogueira.
A solução tornaria públicos, porém, dados sigilosos dos pecuaristas aos frigoríficos, como o tamanho dos rebanhos e o estoque de bois gordos de cada um. "Assim, eles vão saber dados de mercado que não podem circular na mão de todo mundo, como o estoque de boi gordo no país inteiro, porque é confidencial. Aí, vira uma manipulação de preços total", afirma Antenor Nogueira, presidente do Fórum de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA).
Uma saída em estudo, que será debatida pela cadeia produtiva, seria deixar a conferência dos brincos para as empresas certificadoras. Assim, o frigorífico teria, com antecedência e pela internet, informações sobre se determinado boi está ou não no Sisbov.
"Desse jeito, nem pecuaristas nem indústria teria esse incômodo", afirma Antenor. O governo não tem objeções. "Essas são relações de mercado entre as partes. O ministério vai apenas auditar o sistema e as certificadoras periodicamente", diz a coordenadora do Sistema de Rastreabilidade, Cláudia Inês Lima.
As regras do novo Sisbov, aprovadas em fevereiro de 2006, restringiram a certificação apenas para destinos onde a prática já existe e criaram o conceito de propriedade aprovada, onde todos os animais têm que ser rastreados a partir do período de desmama ou, no máximo, até os dez meses de idade. Os produtores só poderão comprar animais de fora da propriedade até dezembro de 2008. Depois, só devem admitir gado já rastreado. Os pecuaristas têm até dezembro de 2007 para abater ou vender os animais cadastrados na base de dados do antigo Sisbov. Todas as movimentações de gado devem ser informadas às certificadoras e aos órgãos de sanidade animal nos Estados.