Caule da bananeira usado na produção de artesanato

15/01/2007

Caule da bananeira usado na produção de artesanato

Com base na teoria de que vegetais com fibra podem ser transformados em papel, a artesã Leila Tassis, no vilarejo de Santo André, em Santa Cruz Cabrália, utiliza, há seis anos, o caule da bananeira no fabrico de matéria-prima.
“Fiz um curso de reciclagem de papel e vi que na produção das pastas, sempre entrava a fibra da bananeira; então resolvi trabalhar só com ela”, disse, acrescentando que a fibra é ecológica.
Um pé de banana produz um cacho e, depois da colheita, o caule é cortado, para surgimento de novas mudas. “Não corto o caule antes de o cacho ser colhido, não renderia a fibra necessária para a produção do papel. No momento do corte, o caule tem que estar adulto, maduro, para produzir uma boa fibra”, informa a artesã.
Antes de Leila Tassis iniciar seu trabalho na região, os caules cortados eram descartados. Ela procurou os produtores e passou a recolher o material, recomendando-os a fazerem os cortes nas datas coincidentes com o dia em que iria produzir o papel.
A artesã orienta os produtores para a poda do caule sem perder o fruto e a transformar os caules cortados, que antes, para eles, era um entulho, em fonte de renda. “Sei que eles não podem esperar muito para tirar o caule, pois perderiam os frutos; então, ensinei-os a podar o caule sem perder o cacho”, conta a artesã, que mantém parceria com os produtores da região.
Na época do corte, Leila leva seus funcionários aos locais de produção, faz a poda, recolhe o fruto, que é entregue ao produtor, limpa o terreno e paga R$ 1 pelo caule. Antes, ela recolhia o que era descartado, mas tinha perda.
Desde que iniciou o trabalho com papel da fibra de bananeira, há seis anos, Leila produziu 100 abajures. “Eu não tinha idéia do mercado. Não sabia como seria a aceitação”, explicou. Em menos de 20 dias, a artesã vendeu toda a sua primeira produção.
Leila emprega 10 funcionários, entre artesãos e marceneiros. Com as encomendas de kits de final de ano gerou mais seis empregos temporários. “Desde o início, me propus a transformar o ateliê em algo auto-sustentável e está sendo assim”, comemora.
As peças produzidas no ateliê são vendidas, por encomenda, em algumas lojas em Arraial d’Ajuda, Natal (RN) e no Rio de Janeiro, além de hotéis e restaurantes, em Porto Seguro. A produção, inicialmente só abajures, hoje é bem mais diversificada, com agendas, álbuns, caixas, potes, cardápios, kits para escritório.