Normas específicas para aplicação

15/01/2007

Normas específicas para aplicação

O Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) elabora, recentemente, normas específicas para a caracterização, aplicação e monitoramento do uso do lodo de esgoto urbanos, mas não contempla o lodo de origem industrial.
“Entretanto, usando os limites de metais estabelecidos para os lodos urbanos, o resíduo da estação da Cetrel apresenta valores bem abaixo dos níveis críticos”, ressalta o pesquisador Aldo Trindade.

Dos metais pesados avaliados com plantas, apenas o níquel aumentou após a aplicação do lodo, mas em teores ainda abaixo do que a literatura apresenta como níveis críticos. Os metais não acumularam como efeito residual da aplicação do lodo, ou seja, ao final de três anos de avaliações, não houve aumento da absorção pelas plantas, assim como não aumentou a disponibilidade no solo ao longo do tempo. O zinco foi encontrado no lençol freático, como resultado da lixiviação – a remoção pela água de materiais solúveis contidos no solo – do lodo quando o resíduo foi aplicado em doses acima de 30 toneladas/habitantes/ano.

Com base nos dados obtidos, e considerando a falta de legislação para este tipo de resíduo, o lodo de origem de esgoto industrial apresenta qualidades e potencial para uso em substratos para produção de mudas, na recuperação de áreas degradadas, reflorestamento e plantio de espécies não comestíveis, como aquelas usadas para a produção de biodiesel.

O lodo de esgoto de origem urbana tende a apresentar menores teores de metais pesados. Além deste fato, as análises microbiológicas não indicaram presença de ovos de helmintos ou de coliformes fecais em níveis acima do permitido pelo Conama. Estas características foram acentuadas pela capacidade dos lodos em promoverem o crescimento de diferentes culturas como a banana, o milho e o girassol.

Da mesma forma que o lodo de origem industrial, o resíduo urbano também reduziu a acidez de solos arenosos e contribuiu para o aumento dos teores de nitrogênio e fósforo, nutrientes importantes para as plantas. “O que é um resíduo pode se transformar em recurso, desde que se façam os estudos de valor agronômico e de impacto necessários”, salienta Aldo Trindade.

“Constatando-se estes benefícios, a aplicação deverá ser realizada respeitando-se características locais, como o tipo de solo, declividade da área, proximidade a corpos d’água, tipo de cultura, tempo de carência“, finaliza o pesquisador da Embrapa de Cruz da Almas, no Recôncavo.