Panaftosa confirma vírus no Paraná
Na tentativa de encerrar a disputa em torno da existência ou não de focos de febre aftosa no Paraná, o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), ligado ao sistema da Organização Mundial de Saúde (OMS), confirmou, na sexta-feira, a ocorrência da doença em bovinos do Estado em 2005.
Em nota obtida pelo Valor, o diretor do Panaftosa, Miguel Genovese, concluiu pela existência dos focos no Paraná em razão dos seguintes motivos: a "identificação de anticorpos" em amostras de sangue dos bovinos compatíveis com circulação viral; a "presença de lesões" comuns em doenças vesiculares como a aftosa; e os "vínculos" do gado paranaense com propriedades onde ocorreram "manifestações clínicas" da doença e foram "comprovadamente isolado" o vírus da febre aftosa.
"É de concluir-se que as ocorrências sanitárias de que ora tratamos, no Estado do Paraná, configuram focos de febre aftosa", escreveu Genovese. "É impossível descartar-se que tais animais não estivessem infectados". Segundo ele, a conclusão está baseada no Código Sanitário dos Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o que justificaria a decisão do Ministério da Agricultura de comunicar a existência dos focos. Genovese reconhece a dificuldade de isolar o vírus da aftosa e os resultados negativos nas provas de isolamento e da chamada "RT-PCR", técnica usada para rastrear traços do vírus.
A conclusão do diretor do Panaftosa repete os argumentos do governo federal para decretar a existência da doença em cinco municípios do Estado. Mas contraria as autoridades do Paraná. Em dezembro de 2006, a secretaria estadual de Agricultura divulgou a ata final da reunião de uma comissão de necropsia formada para avaliar a ocorrência da doença, que contou com representante do ministério e do Panaftosa. O documento sugeria a inexistência da doença no Paraná para, mais adiante, colocar em dúvida a afirmação. Os pecuaristas paranaenses prometem usar o texto da comissão como prova judicial para exigir ressarcimento da União pelo sacrifício dos 7,5 mil animais da região. (MZ)