Pobre paga o maior imposto em alimentos

15/01/2007

Pobre paga o maior imposto em alimentos

 

Pesquisa mostra ainda que Brasil tem um dos mais altos tributos do mundo para a comida. A camada de renda mais baixa da população brasileira paga, proporcionalmente, a maior carga tributária sobre alimentos, em relação às classes mais abastadas. Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), obtido por este jornal, mostra que os que recebem até R$ 350 pagam tributo na comida quatro vezes maior (3,94%) do que os com renda superior a 20 salários mínimos (1,05%).

As disparidades também chamam a atenção quando o Brasil é analisado no âmbito internacional. Aqui a carga sobre a comida é de 15,29%, mais do que o dobro da média dos países (7,11%) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A diferença é gritante quando os números são comparados com os Estados Unidos: dos 50 estados norte-americanos, 34 têm alíquota zero. O tributo médio sobre a venda de alimentos naquele país é de 0,66%. "Aqui nós ganhamos um décimo do que eles ganham e pagamos 30 vezes mais impostos para comer", argumenta o vice-presidente do Grupo Sendas, Arthur Sendas Filho, que falou como associado do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), patrocinador do estudo.

Se fosse feita uma desoneração total (federal e estadual) sobre os alimentos, seria possível reduzir em 2,5 milhões o número de pobres e em 960 mil o de indigentes existentes no País, calculam os economistas no estudo. Caso a isenção fosse em apenas dez estados (Pernambuco, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Bahia), haveria redução de 6,6% da pobreza e de 18,08% da indigência, respectivamente 1,75 milhão e 684 mil indivíduos.

Página A-5 (Gazeta Mercantil/1ª Página - Pág. 1)(Simone Cavalcanti)