Produção de milho pode ser recorde, mas total de grãos não

15/01/2007

Produção de milho pode ser recorde, mas total de grãos não

 

A alta dos preços do milho no último trimestre de 2006 fez com que os produtores corressem atrás de áreas para plantar o grão. Com isso, o País pode colher a maior safra da história do cereal - mas no total de grãos, a tendência é que fique como a segunda maior. Analistas de mercado acreditam que as chuvas no Sul e Sudeste tendem a reduzir a produção de soja e feijão, além da seca no Nordeste, que provocaria perdas. A expectativa é que um eventual aumento na colheita do milho safrinha compensa as perdas climáticas. A última estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada ontem, reflete o aumento de 48% nas cotações internacionais do milho ocorrido entre setembro e dezembro. Segundo a estatal, a produção brasileira de grãos deverá ficar em 121,5 milhões de toneladas. Em relação à pesquisa de dezembro, a safra é 1,1% superior. Na comparação com a colheita da temporada 2005/06, a alta é de 1,3%. O aumento do plantio de milho explica a correção em relação à dezembro. Além disso, agora a Conab fez uma projeção da segunda safra do cereal, que será 8,1% maior. "Mas ainda pode se elevar", disse Eledon Oliveira, gerente da Área de Avaliação de Safras da Conab. Com isso, o milho vai representar 28,6% da produção total. Oliveira não acredita que as chuvas possam prejudicar a produção, fato contestado por analistas. "Alguma coisa terá de ser revista", diz Carlos Cogo, economista da Cogo Consultoria Agroeconômica. Segundo ela, a chuva deve provocar perdas na soja devido à incidência de ferrugem asiática - são 403 focos no País. De acordo com a Conab, o País vai colher 54,9 milhões de toneladas de soja, 2,7% a mais que na safra anterior. O resultado é o maior da história. Já a produção de milho está estimada em 44,7 milhões de toneladas. volume 7,2% superior à temporada passada e a segunda maior produção da história. Analistas de mercado e os técnicos da Conab acreditam que o número possa ser maior, pois o plantio da safrinha começa em fevereiro. "O resultado da melhora de preço virá na safrinha", acredita Leonardo Sologuren, da Céleres. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12)(Neila Baldi)