Nível do São Francisco é cada vez maior no sudoeste

16/01/2007

Nível do São Francisco é cada vez maior no sudoeste 
  
  

O nível do Rio São Francisco continua subindo na região sudoeste da Bahia e ontem à tarde atingiu 6,56m acima do normal. Mas o alerta mais chuva na região Sudeste, emitido nesta segunda-feira pela Secretária Nacional de Defesa (Sedec) e o possível aumento da vazão na Hidroelétrica Três Marias, em Minas Gerais, aumenta a tensão na região. Quatro caminhões com filtros de água, lonas plásticas, cobertores e colchões, devem chegar hoje para diminuir o sofrimento das quase 500 famílias atingidas pela enchente.


A ajuda foi definida ontem pelo secretário de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Walmir Assunção, e o prefeito de Malhada, Anselmo Boa Sorte. Uma quantidade ainda não definida de cestas básicas vai ser pedida à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para ser enviada aos municípios de Malhada, Carinhanha, Serra do Ramalho e Bom Jesus da Lapa. Uma comissão com técnicos da Coordenação de Defesa Civil do Estado da Bahia (Cordec), o secretário Walmir Assunção e o vice-governador, Edmundo Pereira, vai visitar os locais.


Os quatro municípios já decretaram estado de emergência mas se as previsões de aumento na vazão em Três Marias se confirmarem, a próxima medida vai ser a decretação do estado de calamidade. O prefeito de Bom Jesus da Lapa, Roberto Maia, percorreu diversas localidades e se mostrou muito preocupado. “O ritmo da subida do rio diminuiu, mas estamos em contato constante com o pessoal em Minas Gerais. Eles me disseram que podem ser obrigados a abrir ainda mais as comportas da usina por causa do grande volume de água”, alertou o prefeito. 


A gravidade dos problemas enfrentados pela população ribeirinha nos quatro municípios varia de acordo com a altura da localidade em relação ao nível do rio. Em Carinhanha, que fica numa zona mais alta, 15 famílias estão desalojadas, mas em Bom Jesus da Lapa, o número chega a 200, por causa da baixa altitude em relação ao Velho Chico. A BR-030 continua alagada e com trechos intransitáveis, mas a situação é pior para as famílias que sobrevivem da lavoura de subsistência, a qual hoje estão debaixo d’água.


Em alguns pontos, o problema causado pela água cresce diante da resistância de alguns moradores em abandonar a propriedade. Dezenas de residências estão isoladas pela inundação, mas os proprietários preferem colocar os pertences em cima de árvores, no telhado e ficar vigiando-os, do que ser transferidos para escola e prédios públicos utilizados como abrigos. “Não adianta avisar que a água pode subir ainda mais nem oferecer ajuda, algumas pessoas só vão deixar a casa quando tudo for levado pela enxurrada”, declarou o secretário da Agricultura de Malhada, José Castor de Abreu.